quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ao bom velhinho do saco cheio...


Querido Papai Noel,

Podia começar essa cartinha dizendo que este ano fui uma boa moça, que me comportei e que mereço os melhores presentes deste Natal. Mas não... desta vez não quero mentir pra você. Esse ano eu fui uma menina má, muito má. Mas eu aproveitei minha vida "máravilhosamente" bem!

Ganhei muito dinheiro (que torrei todo em roupas lindas e farras homéricas), fiz as melhores viagens por esse Brasil (e até repeti as que mais gostei), fiquei no meio de duas motos em movimento dentro de um Globo da Morte ( e quase mato minha mãe quando ela viu pela TV), conheci os caras mais interessantes do mundo (sem exageros... até porque você sabe que minha listinha deste ano foi surpreendente, tendo até "celebridades do mundo anônimo" no meio). Enfim... fui uma mulher independente, com carinha de adolescente e que se divertiu como criança, sem um pingo de medo das consequências.

Eu sei que todo ano te peço a mesma coisa: Amor. Mas meu erro era pedir só pra mim. Quanto egoísmo, hein?! Esse ano eu quero repetir o pedido, mas quero que você deixe um pouquinho de amor no coração de todo mundo, não só no meu. Crianças, velhinhos e claro: não esquece de colocar um pouquinho de amor no peito dos adoráveis filhos da puta e dos cafajestes de fino trato, tá?!

É demais repetir? Não, né?! Afinal de contas... a gente sabe que o amor é um remédio que faz bem, o problema é que em comprimido é difícil de engolir, em líquido é amargo demais e a versão injetável dói, mas a gente morre se não se medicar. Então, estou pronta. Que venham as altas dosagens de amor no meu peito, Papai Noel!

Um beijo meu,
Maria Tereza Falcão

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Metade futebol, metade mulher


Se essa coluna é um lugar pra desabafar sobre minhas paixões, dessa vez eu vou ser sincera e escrever sobre uma paixão que bate no meu peito há 25 anos: O FLAMENGO.

Como eu queria conseguir escrever em vermelho e preto todo esse texto! Como eu queria que vocês tivessem ouvido o meu grito hoje ao término do jogo! Como eu queria que vocês pudessem ver o sorriso que eu exibi durante a comemoração do título!

Ver o Flamengo hexacampeão?! Que bom, que bonito, que rico! Pobre é ver que exista tanta inveja nesse mundo, que o time mais amado é também o mais odiado do Brasil, e que muitos querendo ou não, a gente é Hexacampeão. Isso tudo com graça, com raça, com classe, com categoria.

Parem de dizer que o Grêmio abriu as pernas, que o Corinthians ajudou ou qualquer coisa do gênero... reconhecer a vitória de um time que suou a camisa e jogou bonito durante todo esse campeonato é o mais correto a se fazer. E se os pontos corridos correram do time de vocês, eu sinceramente não posso fazer nada.

E o mais lindo de tudo isso é ver que após 17 anos sem ganhar um brasileirão, a maior torcida do mundo continuou lá, firme e forte, com o grito de "É Campeão" preso na garganta, dando apoio ao seu time, que apesar de muitas alegrias, nos proporcionou também muita tristeza.

Não vou dizer que foi fácil torcer pelo Flamengo por todos esses anos. Seria muito mais prático virar a casaca e escolher uma dessas empresas que se dizem times de futebol. Foi difícil enfrentar a "tiração" de onda dos amigos que odeiam o Mengão, da ausência de craques como Zico e cia... e claro, da ausência de títulos de nível nacional (afora uma ou duas Copas do Brasil). Mas todo mundo sabe que tanto no campo quanto no jogo da vida, alguém vai ganhar e alguém vai perder.

Só que dentro de mim algo dizia que dessa vez quem ia perder não era a gente. O time é bom e acima de tudo, era um time que estava interligado à torcida, e eu, como torcedora da melhor qualidade, tenho um enorme prazer em ver esse time jogar. Já que eu sou favelada, então eu vou gritar com muito orgulho: É équiçá, porra!

Se as vezes eu pareço um menininho discutindo a rodada da semana no meio da rua, não se enganem, vestindo essa camisa vermelha e preta existe uma menininha apaixonada e viciada em futebol.

E como já cantava um amigo meu: É assim que ela é, metade futebol, metade mulher...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Pecados que um homem NUNCA pode cometer


O Natal já está chegando e por mais que meu saco esteja tão cheio quanto o do Papai Noel, eu resolvi dar um presentinho para os meus amiguinhos, que tanto aparecem aqui pra prestigiar minha coluna, quanto pra curiar minha vida, com a finalidade de saber quem é o moço do texto da vez e coisa e tal. Pura ilusão, até porque todo mundo sabe que grande parte de tudo aqui é ficção.

Preparem-se para ler agora um texto que foi construido com o intuito de colaborar com todos vocês, digamos até que é um pequeno manual. Prestem bem atenção nessas dicas, pois essa conversinha de que mulher tem pavor quando vocês meninos esquecem a data de aniversário de namoro, quando deixam a tampa do vaso levantada, a toalha molhada em cima da cama e trocam elas pelo futebol com os amigos é tudo furada. Essas coisas nem se comparam com o que vem por aí.

Tinha tanta coisa pra falar mal, mas aí eu teria que cobrar pela consultoria, né? Fiz um pequeno resumo com 15 dicas essenciais para vocês, meus amados e idolatrados, que tanto me fizeram bem quanto me fizeram mal neste ano de 2009. Eu só peço uma coisa, caso alguém se sinta ofendido, pode chorar... mas chora bem longe daqui, tá?!

1. Usar a carteira no bolso de trás, dando um maior volume na sua nádega direita. Vou te contar: não tem nádega mais brega do que isso.

2. Camiseta machão é pecado mortal. Você não vai ser menos macho se não usar. E ah... Vai sair comigo assim? Vai nada... Se me aparecer desse jeito, deixo de castigo trancado no carro escutando um cd da banda Calypso. Fica sentado no banco mofando, só esperando o Apocalypso, tá?

3. Amiguinhos, prestem bem atenção nesse item:
Se você quer ter relações-prazerosas-sem-fins-reprodutivos com sua paquerinha, não é necessário despejar em cima da garota sentimentos absurdos (leia-se conversa pra boi dormir), que todo mundo sabe que não podem existir assim da noite pro dia. Caso ela realmente queira, ela vai dar pra você. Poupe seu tempo e sua lábia para uma coisa mais útil.

4. Não sinta inveja porque sua mulher ganha mais do que você. É natural hoje em dia ver mulher ganhando bem mais que homem. A gente gasta bem mais com roupas, salão de beleza, maquiagem, sapato, bolsa e todas as outras coisas que nós ADORAMOS. Então... nada mais justo, né?!

5. Ser metrosexual não é pecado, claro. Mas sem exageros, tá? Homem com aparência feminina é furada. É bicha na certa. Do mesmo jeito que vocês homens não querem ver a gente de menininho, a gente não quer andar acompanhado de uma menininha.

6. Mão-de-vaquismo é um dos pecados mais absurdos. Ela quer rachar a conta? Deixa ela rachar. Mas por favor... uma genteliza de vez em quando faz muito bem, sabia?

7. Síndrome de Carla Perez. Tem rapaz que não pode ver uma batidinha que já tá lá, todo se requebrando. Vai querer competir com meu rebolado, vai?! Então vai bem pra longe, viu?! Homem que não dança nada ou dança fora do ritmo é bonitinho, e se pisar no meu pé... eu apaixono!

8. Ser um homem das cavernas não é legal. Puxar pelo cabelo até que pode ser. Mas aparecer vestido a la Fred Flinston não dá. Vítima da moda também não vale. Esse aí é um ótimo candidato para ser vítima... de outro macho.

9. Se você tá carente, faça terapia. É mais barato e eficaz do que ficar mandando sms's de 5 em 5 minutos pra uma pessoa que você finge que gosta, e ela finge que acredita. Se teu plano de celular te dá um pacote de torpedos de graça, usa ele pra mandar corrente pro celular dos seus amigos.

10. Detesto co-piloto falante. Tudo que eu não preciso ter. "Olha pra frente! Presta atenção! Cuidado com a moto! O sinal, Têca!" Porra. Eu tô vendo isso tudo, sabia? É que eu gosto de dirigir com emoção. Se é pra criticar vai a pé, ou faz como a Angélica e vai de taxi.

11. Garoto fotolog do ano! Ensaio fotográfico é coisa de mulher, sabia? Claro que isso não vale pra quem é modelo ou artista. Se você não é, esqueça. E ah, nada de pedir pra sua irmã bater algumas fotos suas na piscina do seu prédio, bem descontraídas. Todo mundo sabe que elas foram espontâneamente forjadas.

12. Cheiro de homem é bom. Mas cheirinho de homem perfumado é melhor ainda, viu? Se eu quisesse um macaco eu ia pra zoológico, ok?!

13. Fanáticos. Religiosos, políticos e micareteiros. Sem esquecer jamais dos vascaínos fanáticos, que são abomináveis. Há quem prefira um homem com alguma doença venérea, pelo menos pra isso tem tratamento. Vascaíno nem o Padre Quevedo consegue dar jeito.

14. O mundo tá meio maluco. Todo mundo pegando todo mundo, perdendo o respeito pelos outros e por si mesmo, fato. Mas não é por isso que vocês vão fazer o mesmo, né?! Respeito é bom e todo mundo gosta.

15. Não faça nunca uma mulher rir até dar dor de cabeça se logo depois você vai fazer ela chorar até dar uma dor no coração.

Ficam as dicas, tá?
Beijo pros meninos e abraço prazamigas!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Sábado à noite tudo pode mudar

Meu dia não estava sendo dos melhores, consequência da semana que não tinha sido nada boa também. Já era um típico sábado à noite desses que a gente não faz a mínima idéia do que vai acontecer e tem certeza de que pior não podia ficar. Enfim... resolvi recusar os convites pra fazer qualquer coisa, com qualquer um.

Volta tudo. Resolvi nada. Mudei de idéia antes que pudesse desistir novamente. Mudei de idéia e mudei também totalmente a minha noite. Decidi que daria uma chance pra um carinha muito especial, um carinha que eu havia esnobado, como muitos outros tinham sido nos últimos tempos, a diferença era que esse não merecia.

Ele gostava muito de mim e sempre esteve ao meu lado, não se importando se eu o usava pra chorar minhas mágoas de um adorável filho da puta qualquer. Ele simplesmente adorava que eu o procurasse, mesmo quando eu sumia por muito tempo, voltando a procurar por ele só quando as coisas complicassem pro meu lado. Eu me sentia meio culpada, mas logo a culpa passava.

Pois bem, meu sábado à noite seria dele. Finalmente teríamos aquele encontro que andei adiando por tantos finais-de-semana, já que andava ocupada demais com cara menos legais e menos merecedores do que ele. Agora sim ia dedicar um pouco do meu tempo pro cara certo.

Tomei um bom banho gelado pra matar o calor, vesti uma roupa que daria uma bela foto nos 10 melhores looks da semana e passei meu melhor perfume. Se bem que ele nem ligaria se eu chegasse lá enrolada numa toalha de mesa quadriculada e fedendo a peixe. Tenho certeza que ainda assim ele estaria me esperando de braços abertos.

Me apressei o quanto pude e cheguei exatamente na hora marcada, pois com ele eu tinha que ser pontual. Cada minuto era precioso e único. Foi só entrar no local do encontro que eu senti uma paz imensa tomando conta de mim. Ao me ver, ele foi até onde eu estava e sentou do meu lado.

Um ser indescritível. De deixar a mais tagarela sem palavras. Não consigo nem dizer se ele é loiro ou moreno, alto ou baixo, gordo ou magro. Só posso dizer que ele é lindo, e ao tocar nas minhas mãos eu senti uma energia da qual nunca havia experimentado antes.

Ele me olhava no fundo dos olhos e me tratava como se eu fosse a pessoa mais importante da vida dele. Quando ele me abraçou, eu chorei. E foi um choro de alívio, coloquei pra fora tudo aquilo que vinha me incomodando há tantos dias, mas que pareciam mais anos. Ele enxugou minhas lágrimas, me deu um beijo na testa e disse que era hora da gente comer.

Nosso garçon trouxe nosso alimento e nossa bebida. Peguei com a mão a pequena refeição, que era pequena, do mesmo tamanho e da mesma forma que uma moeda de 1 Real. Sem gosto, devo dizer, mas matou minha fome inteiramente. A bebida era vinho, e eu dispensei. Quando a gente está bem acompanhada, o que menos importa é se a gente vai beber ou não. E eu só queria ficar ali, de olhos bem fechados, sentindo a paz que só ele me traz.

Uma hora e meia se passou e eu precisava ir. Não queria, mas foi mais um daqueles casos onde o tempo voa. Confesso que tomar a inciativa de ir até lá foi meio complexo, mas agora que eu fui, eu queria ele pra sempre perto de mim. Levantar também não foi fácil, mas eu tinha que fazer e ele fez o mesmo. Me abraçou com um dos braços e me guiou até à porta. Beijou minhas mãos e disse que eu era livre para ir e vir, a hora e o dia que eu quisesse. Fui embora com a cabeça leve e o coração preenchido de coisa boa.

Todo mundo merece um sábado à noite, um domingo à tarde ou um horário qualquer com Ele, o importante é saber que quando a gente convida com o coração, nosso convidado vem, e vem sempre cheio de amor pra dar. Pra mim, pra você e pra quem mais quiser.

http://www.portalparaiba.com/site/colunista.php?idColuna=104

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Mulher Crônica


Mulher Melancia? Mulher Pitomba? Mulher de fases? De todas as cores? Não... essas daí nada tem a ver comigo. Vou assumir de uma vez por todas: podem me chamar de Mulher Crônica. Uma pequena mulher que tem na inspiração sua melhor amiga e sua pior inimiga, porque ela as vezes vai embora, deixando apenas a piração solta por aqui.

Pois bem... Andam dizendo por aí que exponho demais a minha vida e eu tenho que concordar. Minha coluna é meu divã. Mas nem pensem que eu conto todas as histórias reais deitada nesse sofá de desing esquisito. As melhores ficam guardadas só pra mim, aqui dentro, onde ninguém tem acesso.

O que eu tenho de melhor está aqui, à salvo, protegido de tudo e de todos. Protegido porque muitas vezes é mais bonito o não dizer do que qualquer verso que foi dito. E o que foi dito muitas vezes não deve ser levado a serio, até porque às vezes nem eu mesma me levo.

Eu sempre falei demais, mais do que devia, mais do que podia, mais do que qualquer pessoa esperaria. Hoje, meu esporte favorito é escutar. Posso afirmar que a parte da minha pequena pessoa que eu mais gosto são meus ouvidos. Finalmente aprendi a ouvir somente aquilo que me dá prazer, o resto tem ficado do buraquinho pra fora...

Posso afirmar também que a parte que mais tenho detestado em mim é o meu sorriso. Por mais branco e bonitinho que ele esteja após o clareamento dental, ele não chega até meus olhos, quem dirá ao meu coração. É um sorriso incompleto e imperfeito, de uma mulher incompleta e imperfeita, que tem mania de homens incompletos e imperfeitos.

Mas eu seria a mulher perfeita pra você, isto é... se você ao menos existisse, né?! E eu desisto de você, porque você desistiu de mim. Se seu medo era ser feliz, a gente podia ter divido junto a mesma fobia, pois eu morro de medo de deixar de ser triste. Eu só devo agradecer. Você me poupou de uma grande desgraça: me apaixonar por você.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Amargo Novembro

Essa história não é bem definida, pode ser considerada feliz, triste... depende de quem conta e também de quem está lendo. É necessário apenas deixar o coração aberto para que ela possa entrar.

Novembro, 30 dias. Tempo suficiente para significar alguma coisa e não criar problemas. Esse seria o mês dele, que me apareceu do nada, em um Doce Novembro qualquer, exatamente como naquele filminho americano.

Dono de uma alegria triste, ele ganhou meu coração nos primeiros 5 minutos de conversa. Não era muito difícil, confesso. Sabe o Adam Sandler? Misture-o com o Jack Johnson. O
resultado da junção dos dos dois vai sair igualzinho ao protagonista dessa história. Sem tirar nem por, tanto na aparência, quanto no jeitinho de ser.

Ele tinha a profissão dos sonhos de muito marmanjo: testava joguinhos de videogame. Nas horas vagas, era DJ e tocava um violão desengonçado. Mas, sua maior missão aqui na terra foi abrir a tampa da caixinha onde eu vivia, deixando assim que a luz e o ar pudessem entrar.

Me conquistou sem meias verdades e sem mentiras inteiras. Desde o começo eu sabia que ele tinha um tumor na cabeça, mas ele não contava a gravidade da coisa. E nunca... nunca mesmo deixou a peteca cair.

Foi rápido, muito rápido. Mas foi intenso. Novembro acabou e junto com o mês a paixão se foi também. Ficamos afastados por um vacilo meu, depois discutimos e eu nunca mais falei com ele. Aliás... eu falo e penso nele em muitos dias da minha vida. O vejo no céu, nas estrelas, na lua, até o vejo sentado do lado de São Pedro cantando: "São Pedro... tenho um "negóço" pra botar na sua mão..." hahaha.

Lembro do dia que soube da sua morte. O tempo parou. O filme veio todo na minha cabeça. Assim como a moça do filme, ele também tinha um câncer na cabeça. O destino fez com que eu não pudesse dizer nem sequer um "Oi" de despedida pra ele.

Termino o texto mandando um beijo pro céu, especialmente pra você, que me deu um Novembro Doce com gostinho de quero mais, que infelizmente a gente não pode ter, deixando ele Amargo pra sempre...

Daniel, você foi meu Novembro.

http://www.portalparaiba.com/site/colunista.php?idColuna=100

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Esperando por um bom título

Quem espera sempre alcança? Nada... tem gente que é baixinha como eu e só vai alcançar se subir num banquinho ou pedir uma ajuda. Mas todo mundo espera alguma coisa. Esperam principalmente que as coisas andem mais depressa, como se a vida já não fosse rápida demais.

Existem esperas irritantes e esperas agradáveis, umas fazem um bem danado para a nossa imaginação e as outras não sei bem a quem fazem um bem. E eu digo logo que se vocês esperam ler um texto sensacional, devem parar por aqui, não esperem muita coisa hoje de mim.

Tá pra nascer coisa mais insuportável do que fila de banco. Eu odeio. Sempre fico noiada achando que a qualquer momento alguém vai entrar anunciando um assalto e mandando todo mundo pro chão. Mas eu tenho uma tia que adora. Ela diz que sempre leva cantada dos aposentados que tão passeando no banco sem ter nada pra fazer, que faz tanto bem quanto passar em frente de uma obra.

Gravidez é o tipo da espera que deve ser maravilhosa. Ficar imaginando o rostinho do bebê deve ser uma sensação maravilhosa. Sem contar a espera do sexo. Já pensou?! Você passa 3 meses pra saber e quando descobre, compra o enxoval mais lindo do mundo, com as roupinhas mais lindas do mundo, mas a verdade é que você só vai ter certeza mesmo quando a criança completar 15 anos e decidir se é menino ou menina.

E o clima de tensão que deve ter a sala de espera de um Proctologista? O cara tá sentado lendo uma revistinha de fofoca e não sabe bem o que vem pela frente (nesse caso por trás seria mais adequado). A única certeza que ele tem é que não vai sair de lá sem ter levado no mínimo uma dedada.

Quando eu espero por um show que eu gosto muito, me sinto como se tivesse 12 anos novamente. As lombrigas que residem na minha barriga fazem uma festa, talvez seja tentando avisar que essa espera pode nem valer tanto assim, que eu vou esperar ainda mais lá, pois o cantor tá no camarim enchendo a cara e paquerando as menininhas.

Relacionamento sem espera então é algo que não existe, fato. Já faz algum tempo, tipo uns 11 anos do meu primeiro pra cá que eu espero, aliás... todos nós esperamos. Esperamos uma ligação, uma mensagem de texto no celular (que você confere de 5 em 5 minutos pra ver se está ligando, dando sinal e aquela coisa que nós fazemos muito bem), um depoimento no Orkut, uma DM no Twitter, uma mensagem no Facebook, uma janelinha subir no MSN e por aí vai...

Lembro que esperei 8 meses pra um paquera me dar um beijo. Isso eu estando com 24 anos e ele com 27, duas crianças de 6 e 9 devem ser mais desenroladas que a gente, né?! Enfim... depois de muita espera, acabou acontecendo. Agora eu o deixo esperando...

Sabe aquele seu outro paquera que ia passar no seu hotel depois do futebol? Você ainda está lá na recepção esperando, né? Ele te ligou avisando que não ia? Pra mim também não. E eu espero uma desculpa esfarrapada até hoje.

Mas certo dia a felicidade não me deixou esperando. Chegou antes da hora e subiu as escadas rolantes que desciam, viu?! Só pra me encontrar... E tem quem diga que a felicidade é algo difícil de se ter, mas eu soube que dividi essa felicidade com metade da torcida feminina (há quem diga que também masculina, credo!) do Santa Cruz, Náutico e Sport.

Tem também aquela canção, aquela bem bonitinha, que eu mal posso esperar pra cantar... a letra já tá ensaiadinha, decorada desde a primeira vez que a ouvi. O show tá perto... bem perto. Espero os aplausos e o grito da galera.

Esses anos de treino me ensinaram a ser boa na espera, mas apesar de fazer isso profissionalmente, tenho a mania de procurar a solidão, embora algumas vezes esteja acompanhada. Mas sabe porque eu procuro? Sozinha pelo menos eu não espero por ninguém, só espero por mim mesma. Até porque esperar pelos outros é algo muito confortável, mas não é nada aconselhável.

E a gente pensa que as pessoas são diferentes, mas elas são todas iguais, a diferença é o tempo que cada uma aguenta esperar. Eu tô aqui esperando deitada. Porque esperar em pé cansa e sentada dói a bunda, viu?!

E se você espera que isso tudo seja verdade... Ô meu bem, eu te avisei pra não esperar muita coisa de mim.

Pode ler aqui também, oh: http://www.portalparaiba.com/site/colunista.php?idColuna=98

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Complexo de Zé Mayer


Ele exala testoterona pela telinha e é o dono do alvoroço da mulherada todas as noites (pelo menos de segunda a sábado). Durante todas as 24h do dia, ele também é o dono das melhores piadinhas que circulam na internet. Se você não sabe do que tô falando meu bem, abra o Twitter (o microblog inútil mais útil de todos os tempos) e vá em busca do #zémayerfacts.

E se você não sabe como ver, eu ajudo colocando algumas aqui. Tô super bem-humorada, mesmo sem ter saído com o Zé Mayer ontem a noite. E as três melhores frases na minha opinião são:

1. Quando nasceu, Zé Mayer deu um tapa na bunda da enfermeira.
2. Zé Mayer não conta carneirinhos pra dormir, conta Helenas.
3. Se o Zé Mayer morrer no final da novela, a terra há de ser comida por ele.

Entendem agora porque de todas as mulheres desse Brasil estão querendo ser Helena? Sorte da Regina Duarte, da Christiane Torloni, da Vera Fisher e agora da Taís Araújo, a mulher mais invejada da ficção nos últimos dias, que pega um bonitão na novela das 9h e é casada com o feioso do Lázaro Ramos. Mas há ainda quem diga por aí que a primeira Helena que o Zé pegou não foi a do Manoel Carlos, foi a de Tróia.

Deixando o Zé Mayer um pouco de lado, tendo só um o cuidado pra ele não ficar do lado demais e querer me dar uns pegas, o Zé andou inspirando muito coroa por aí e por aqui. Já que as mulheres começam a observar que dois de 20 não dão a metade do caldo que um quarentinha tem pra oferecer, os marmanjos andam correndo em busca do tempo perdido e das mulheres também.

Eles são seguros, mais bem cuidados, mais gentis, galateadores, discretos e silenciosos, falando apenas a coisa certa na hora certa. Mas se engana quem pensa que pro quarentão é moleza. Quem vê o Zé Mayer na novela deve pensar que ele não faz nenhum esforço pra ser assim, amanhece e adormece com essa carinha linda de quem quer te dar uns tapas (no bom sentido, claro) o tempo todo. Mas não... é duro. E se não for tão duro assim... quem tem azul tem tudo, né?!

Tinta discreta no cabelo pra tapear os fiozinhos brancos que já tomam conta de mais da metade da cabeça, roupas descoladas feitas para boyzinhos de 19 anos, máscara de argila verde no rosto antes de dormir e ao acordar, isso sem contar as flexões que eles fazem no escritório entre uma reunião e outra, bem no meio da sua sala, que tem uma plaquinha na porta dizendo: Diretor Executivo.

Enfim, os Zés de 40 e 50 estão na moda (por mais que o Zé original tenha acabado de chegar na casa dos 60), mas eu devo admitir que ando meio numa fase meio cafona. E ah... queria dizer só uma coisinha pras modernetes que estão aderindo à moda do peguete bem mais velho: Corega neles, Colega!

http://www.portalparaiba.com/site/colunista.php?idColuna=96

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A verdade nua e crua


Terça-feira calorenta. TPM matando. Clientes desesperados e cheios de razão te ligando logo cedo, exigindo N coisas que não dependem de você. Chefinho te cobrando as coisas, mesmo sendo o penúltimo dia do mês e você já bateu a sua meta de resultados desde a metade dele. Massagista cancelando a sua massagem de sempre na hora do almoço, só pelo fato de estar com sono. Sua manicure está de folga e você não quer dar suas mãozinhas delicadas pra uma açougueira qualquer fazer um bife. Sua internet tira onda da sua cara e resolve derrubar a conexão logo na hora que você está enviando um e-mail longo super importante para um cliente nem tanto assim.

Você já está surtando, quando de repente tem a brilhante idéia de tirar o resto da tarde só pra você. Almoço engordight, comedinha romântica no cinema sozinha e claro: a roupa mais linda que você conseguir achar naquelas vitrines tentadoras. Tudo-certo-já, vamos nessa!

Na hora de fazer o pedido, o atendente te pergunta se você quer dobrar o queijo e você diz: "Não, moço. Quero dobrar só o guardanapo, pois eu me melo toda com esse sanduiche." A risadagem no balcão é geral, só você não acha tanta graça assim no que diz... eles teriam engolido um palhaço?!

Pedido efetuado com sucesso, hora de escolher a mesa. Você vê duas peruas se matando, dividindo um pequeno sanduba de 15. Claro que você vai sentar lá do ladinho delas, pra fazer um pouquinho de maldade, comendo seu Frango Teriaki de 30cm (você pode, já que não teve almoço hoje) sem o mínimo de culpa.

E se você acha que vai escapar dos telefonemas enquanto come, não se engane. Ele tocará 3 vezes. Uma das vezes é sua melhor amiga, que pergunta o que você está fazendo. E quando você fala, ela logo se anima pra ir também, e você, no seu íntimo, torce para que ela desista (desculpa, amiga). Ela desistiu. Mais uma missão realizada com sucesso.

Acabou de comer? Pois então corra, o filme já vai começar. Cuidado pra não cair e passar vergonha em plena praça de alimentação, viu?! Seu dia já não está tão bom assim... e a tendência é sempre piorar.

Você entra atrasada no cinema, já está tudo escuro e só a imagem da tela e as luzes azuis no chão não ajudam você a encontrar uma cadeira num lugar legal, sem ninguém por perto, pra que você não corra o risco de ser pega em flagrante chorando e rindo, tudo ao mesmo tempo.

Ao sentar, você tira seu sapatinho confortável número 34 e cruza as pernas na cadeira. Está praticamente no sofá da sua casa, quando de repente, o susto: Ashton Kutcher no trailer de Jogando com prazer. Imediatamente você sente uma puta inveja da Demi Moore, que além de ter estrelado um dos seus filmes favoritos, dorme e acorda ao lado do bonitão mais seguido do Twitter todas as noites. Vida difícil, hein?!

Olhe para um lado e observe que você não é única desocupada que vai pro cinema sozinha em plena terça-feira. Olhe para o outro e veja casais apaixonadinhos, fofuxinhos e cutecutezinhos que ao contrário de você, poderiam sim estar fazendo coisa melhor do que matar o trabalho somente pra ver um filminho numa sala fria e escura.

Respire fundo, o filme vai começar. Logo de cara você já identifica: esse filme vai pra lista dos meus favoritos, certeza! Tive a primeira crise de risos ao ver que a protagonista imprime o perfil no site de relacionamentos do carinha que ela tem um encontro marcado pra logo mais. Até a ficha policial do moço foi consultada. E nem adianta achar que isso é coisa de psicopata... Vai dizer que você nunca pesquisou informações sobre o seu paqueirinha no Google?!

E por falar em sites de buscas, fiz um teste agora a pouco. Digitei sonho de consumo e cliquei, sabe o que apareceu? Uma foto do Gerard Butler, o Mark Chadway do filme. A coisa mais linda de barbinha por fazer e carinha de cafajeste. Meu tipinho preferido. E ah... ele explica direitinho como funcionam as cabeças do homem. Perfeito!

A Katherine Heigl, protagonista do filme, mata metade das mulheres do mundo de inveja. Logo dois, galega?! E a cena do Mojito? E a dança na sequência?! E a cena do elevador??? Ah minha gente... vão assistir isso, garanto que boas risadas vocês darão.

Claro que meu telefone não podia deixar de tocar, né?! Em pleno horário de expediente liga cliente, chefinho e uma amiga sua, que quando você diz que está no cinema pergunta logo, eufórica, quem é está te acompanhando. E claro... chega fica mufina quando você diz que está sozinha. Que povo careta, só posso ir pro cinema com um carinha, é?! Eu hein...

O filme acabou da melhor forma possível, sempre com romance, né?! E você sai da sala desesperada, pois suas risadas não foram nada discretas, principalmente no jantar onde o molequinho encontra um brinquedinho perdido no chão.

Certo... você corre. Jura que já fez demais por você, que o filminho tirou todo seu estresse do dia, promete que vai perder a fama de Becky Bloom e não vai dar nem uma mínima olhadinha nas vitrines do shopping, né?! Você consegue? Não... claro que não.

Sabe o look mais lindo daquela loja da vitrine linda (e cara) que você prometeu nunca mais fazer comprinhas?! Nesse momento encontra-se no seu guarda-roupa, devidamente acomodado, esperando uma festinha bombástica pra ser usado.

Ah... claro, como ia esquecer desse detalhe. Sabe quem ligou durante o seu dia de mulherzinha?! Aquele seu paquerinha novo, te chamando pra jantar. Você foi?! Foi... Você foi tomar uma "cervejinha" depois?! Foi... E foi bom?! Foi... E se esse dia foi de verdade?! Bem... você nunca vai saber!

sábado, 12 de setembro de 2009

As cartas de amor que eu não mandei


Lembro com muita saudade do meu primeiro amor: um garotinho que estudava comigo no Jardim da Infância, bem gordinho, que puxava meu cabelo e corria. Pra esse, nem uma linha escrevi. Também... o máximo que eu sabia fazer naquela época era cobrir os tracinhos, colorir desenhos e riscar as paredes da sala de jantar da minha mãe.

O segundo me fez raiva todos os dias, por um mês, o tempo que durou a Colônia de Férias. Era Maria Brabinha pra lá, Zé Porquinho pra cá... um festival de insultos trocados, uma paixão que eu já sabia que existia, mas ele não. Escrevi no meu papel de carta mais bonito um bilhetinho que dizia: “Eu sei que você fica com raiva porque eu jogo bola melhor do que você, mas se você deixar, posso te ensinar a driblar essa timidez...”. Ele só iria entender o que eu quis dizer uns 4 anos depois. Então... não mandei, rasguei.

Pouco tempo depois, veio meu primeiro namorado. Ele era quase um ano mais novo que eu, mas como menino amadurece mais devagar, a diferença aparentava ser maior. Com 1 mês de namoro, ele já estava desenhando a planta baixa da nossa casa, os quartos dos meninos, a cozinha que eu nunca utilizaria, pensou até no sofá que a gente sentaria aos domingos pra ver televisão. Tadinho. Escrevi uma cartinha muito singela, dizendo que ele não tinha a menor vocação pra arquitetura, muito menos pra conquistar de vez meu coração. Também não mandei, mas de uma forma ou de outra acredito que o recado foi dado, hoje ele é advogado.

Sabe aquele que muitos acreditam ser o sortudo que mais recebeu cartas? É... esse apesar de tanto ter merecido, leu pouco, muito pouco, ou quase nada, mesmo me acompanhando por tanto tempo. Talvez por ter conhecido uma garota que já não acreditava tanto no poder que as palavras causam em quem lê, ou então pelo fato de que apesar do muito amor que sentia, tinha muita mágoa guardada também. Li mais do que mandei e devo confessar: piquei em pedaços, não só as cartas, mas o coração dele também.

Mas as minhas melhores cartas não enviadas foram pra ele: O cara dos meus tremores. Aquele que eu sei onde mora e que eu sei por quem chora. Só que nesse caso o amor trabalha em silêncio... E eu sei, esses dias eu tive a certeza de que os anos vão passar, mas ele nunca vai esquecer. E caso isso venha a acontecer, deixei dois ou três avisados: as cartas podem ser entregues, só me avisem com antecedência, pois eu quero estar bem longe... pois talvez ele não me perdoe por esconder tanto tempo assim, o amor que eu nutria dentro de mim.


Esse texto pode ser encontrado aqui, oh:
http://www.portalparaiba.com/site/colunista.php?idColuna=90

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Apagando a velinha e ficando velhinha




Pouca gente sabe, mas eu tenho horror a comemorar o meu aniversário. Esse pânico a festinhas onde o "Parabéns pra você" é destinado à minha pessoa, se deve ao fato de que perdi uma pessoa muito especial no dia que até então era o mais feliz do ano pra mim. Em um 2 de Setembro não muito distante e também não muito recente, perdi uma das pessoas que eu mais gostava, e mesmo sendo muito criança, esse fato nunca saiu da minha cabeça.


Não quero falar de tristeza. Não hoje, ontem eu já tive um dia amargo demais. Daqueles tão tristes que até as lágrimas tem medo de mim e nem dão as caras pelo meu rosto. E no final da tarde, ainda acreditei que as coisas pudessem dar uma melhorada depois que eu desse uns murrinhos no saco de boxe, mas ao chegar na academia, me deparei com as portas trancadas e um aviso: Reabriremos normalmente nesta quarta, 02 de Setembro, pois hoje estamos comemorando o Dia do Profissional de Educação Física. Legal, né?! Foi pra fechar o "Inferno Astral" com chave de ouro.


Ao acordar esta manhã, fiquei rindo sozinha, lembrando das previsões que as pessoas faziam sobre o meu futuro sem futuro. Fiquem certos de que na maioria dos planos, a essa altura do campeonato eu já estaria casada com um homem ciumento (tem uma plaquinha na minha testa dizendo que eu gosto da raça, bem ao lado do aviso que diz que músicos também são bem-vindos, sabe?!) e com dois filhos bem danados. Felizmente todos estavam errados. Completo hoje 25 anos, solteira, sem arranhões, falando palavrão e cantando samba com paixão.


Pois é... tô comemorando bodas de prata de um casamento muito bem sucedido comigo mesma, o melhor par que o cupido podia me arrumar.


Hoje eu sou uma pequena grande mulher que não tem mais medo de engolir o mundo. Sei que o fato de ter a boca pequena pode atrapalhar, mas o importante é que eu sei que tudo que eu quero de fato engolir, dou um jeito de fazer descer guela abaixo.


Nessa caminhada eu ainda dei umas topadas por aí, umas muitas na verdade. Errei feio com os outros e errei mais feio ainda comigo. Mas eu ando aprendendo que o melhor que se tem a fazer muitas vezes é ficar sozinha mesmo, pois antes você magoada do que magoando uma outra pessoa. E digo mais: minha vida tá bacana demais pra que eu deixe alguém entrar assim tão facilmente, pulando a janela ou esperando uma brechinha escapar na porta. Se esse alguém souber arrombar a fechadura, posso até pensar no caso.


Mas de uma coisa eu sei: minha vontade de ficar sozinha não vai durar pra sempre, até porque eu assisti Shrek pela quadragésima terceira vez esse final de semana, e tive a certeza de que a Fiona é bem mais feliz com seu ogro que fala besteira, arrota e peida, do que sozinha.


E parabéns pra mim...


Tin Tin!!!


Esse texto pode ser encontrado aqui, oh:
http://www.portalparaiba.com/site/colunista.php?idColuna=86


terça-feira, 18 de agosto de 2009

Viciada em esquisitos

Eu tenho uma amiga que é viciada. Nada de álcool, nada de drogas, nada de jogo, nada de chocolate, nada de sexo. O vício dela é bem esquisito: ela não pode ver um esquisito.

Sua mãe já estava cansada desse festival de alternativos cercando sua filhinha caçula. O pai, deixava bem claro que jamais sentaria na mesma mesa que um desses.

Chegaram a uma resolução: pra felicidade geral e pro bem da minha amiga, eles mandariam a filhotinha pra uma temporada longe da esquisitice alheia. E mandaram, mas mandaram pro lugar errado.

Assim que a minha amiga botou os pés naquela cidade desconhecida, ela teve a certeza: "Aqui é o meu lugar". Seus companheiros de internação, viciados em coisas mais "normais", fizeram o favor de levá-la direto pra Rua da Perdição, lugar de maior concentração de esquisitos por metro quadrado.

Era um festival da esquisitice que ela mais gostava: all-stars, congas, calças xadrez, camisas de botão idem, magrelinhos de bigode e barba por fazer, cabelos cortados por eles mesmos, e pra piorar, alguns ainda tocavam guitarra. Eca! Ela se apaixonava a cada 3 minutos e meio...

Durante aquele período, ela viveu diversas histórias de amor. Começavam quando o ponteiro marcava meia-noite e terminavam às 5h da manhã, quando a cerveja acabava junto com o encanto.

Todos os dias ela recebia ligações da sua mãe, que desligava sempre o telefone preocupada, pois a filha ainda não tinha conseguido nenhum progresso para se curar dessa dependência. A mãe ficava triste, e minha amiga cada dia mais feliz.

Ela não queria voltar, não naquele momento, quando ela estava prestes a realizar seu sonho do esquisito próprio. A cada noite era um diferente, as vezes ela repetia os beijos da noite anterior, mas ela sentia que nenhum daqueles era "o" esquisito pra chamar de seu.

Até que aconteceu uma coisa estranha... bem estranha. Ela se encantou com um cara de aparência nada esquisita. Nada de magrelinho. Nada de tênis conga. Nada parecido com um integrante do Los Hermanos. Ele era bonitinho...

E ela veio embora, finalmente curada do seu vício. Nem se arrepiava mais quando via um cara estranho passar. Mas aparentemente ela contraiu um outro, um vício esquisito por não ser nada esquisito.

Dia desses a gente saiu pra conversar. Ela me contou um segredinho que eu vou dividir com vocês: Ela tá apaixonadinha pelo bonitinho, mesmo sem o ter beijado, nem sequer ameaçado. Ela apenas sabe que no dia que isso acontecer será bom, muito bom.

Mês que vem já é Setembro, e vocês sabem né... depois do primeiro mês do "bro" o ano voa e jajá é Natal. E ela tem se comportado como uma pequena lady, somente pra Papai Noel sacar que ela é uma boa moça e dar exatamente aquilo que ela quer de presente de Natal. E o presente, nem é tão difícil pra vocês adivinharem o que é, é?! Mas... será que ela vai ganhar? Ela já disse que não importa se ele vem a pé, de moto, carro, caminhão, avião, Sedex ou no saco do Papai Noel mesmo, ela só quer ele inteiro... Cabeça, corpo e membros, todo dela.

Depois de ouvir e acompanhar essa história toda eu cheguei a uma conclusão: Esquisita essa minha amiga, hein?!

sábado, 8 de agosto de 2009

Pequeno manual da mulher interessante

Nos tempos atuais, a corrida para ter um lugar no pódio das mulheres mais interessantes da galáxia tem se tornado fixação em muitos casos, simplesmente pelo fato de que não basta ser inteligente, ter charme, pinta no rosto e a voz rouca, o mais importante é, acima de tudo, ser interessante, aliás... ser a mais interessante.

Umas pensam ser, outras tem certeza que são. E tem aquelas que nem fazem questão, acham que seus peitos grandes já bastam e isso por si só já é interessante o suficiente.

Mas... o que vem mesmo a ser uma mulher interessante? Até porque, o que é interessante pra uns, pode não ser para outros.

Segundo meu brother Aurélio, interessante é:
adj. Que oferece interesse; digno de atenção: notícia interessante. / Importante. / Que atrai, inspira simpatia: pessoa interessante. V. ESTADO.

Segundo os conhecimentos que adquiri ao longo dos meus quase 25 anos, para que uma mulherzinha meia-boca se torne realmente "A" interessante, ela tem que preencher os requisitos que vou compartilhar com vocês na sequência.

1. SEDUTORA:
A pretendente ao cargo deve respirar sedução. Pisque o olho, jogue o cabelo pro lado, faça biquinho e tudo mais, especialmente pro balconista da padaria que você toma café, perto do seu trabalho. A noite, até os carneirinhos do final do dia não devem escapar desse jogo de sedução.

2. DIFERENTE:
Seja pioneira em tudo que fizer. Não siga tendências, seja a tendência. Mas fique ciente que em muitos casos essa tendência vai ser só na sua cabeça...

3. DESCOLADA:
Não precise de ninguém pra nada. Troque pneu de carro, corte sua própria franja, cozinhe como um chef com formação na Cordon Blue e tenha amigos superficiais em toda parte do mundo, inclusive naqueles países que você só visitou através do Google Maps.

4. TATUADA:
Sim. Tatuagem é pré-requisito para uma interessante que se preza. Tá mais na moda do que nunca, quanto mais, melhor. E se o desenho for exlusivo, você ganha 4 pontos a mais do que outra candidata a interessante.

5. MISTERIOSA:
Tenha olhar de gata, seja enigmática e não deixe rastros por onde passar... a não ser o seu perfume, que de tão forte, todos sabem que você passou por ali.

6. SAFADA:
Tenha a duchinha como sua melhor amiga e faça questão de que todos saibam disso. Jogue todas as suas calcinhas de algodão no lixo e compre novas, fio-dental... aquelas que tem só uma tirinha no rêgo. Espalhe para todos que as usa pelo conforto. Claro que ninguém precisa saber que você passa o dia na nóia de que ao chegar em casa e tirar a peça íntima, você corre o risco de encontrar uma freada de caminhão no meio do caminho.

7. INTELECTUAL:
Leia Nietzsche. Ouça tudo que não for contemporâneo. Adquira já um TOC. Fume, claro. Tenha na sala da sua casa um quadro pintado por você mesmo e diga que buscou inspiração num filme de Almodovar. Quando estiver conversando com alguém, dê um jeito de encaixar a palavra empírico, ela é super intelectual. Ah... de vez em quando dê mole pra alguma mulher, isso é tão intelectual, tão interessante...

7 pontos, muitas dicas. O número perfeito para que você se torne a mulher perfeita.
Mas não fique achando que porque Deus fez o mundo em 7 dias que você vai se tornar o milagre da humanidade em 7 dias também, tá?!

Conclusão:
Que me perdoem as interessantes, mas deve ser muito chato ser uma. Além do mais, deve dar um trabalhão passar o dia inteiro interpretando um personagem que provavelmente ela não é.

E outra: os que mais me interessam... são os desinteressantes.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Fiquei pra Titia

Vinte e quatro anos, oito meses e alguns dias. Carinha de dezenove. Corpinho de... deixa pra lá. Duas espinhas no rosto. Unhas pintadas de vermelho. Shortinho curto estampado. Argolas nas orelhas que mais parecem pulseiras. Bolsa de macaco a tira-colo. E um coração contraditório: vazio, mas cheio de amor pra dar.

Meus finais de noite tem sido sempre iguais: cama novinha, ar condicionado bem geladinho, televisão com o gordinho e um coração apertadinho. Tá faltando sono em excesso, mas depois de um tempo, acabo dormindo, ouvindo aquelas canções que ele não fez pra mim, mas que um dia há de fazer.

Vinte e quatro anos, oito meses e alguns dias. Mesmo com a carinha de dezenove, ainda não quis imitar a Sandy e me casar, tenho pensando bastante... e não ando procurando o suficiente, talvez eu deixe a menina Maysa do SBT casar antes de mim. Se com ela der certo, encaro a experiência.

Só não sei até quando isso vai durar. A idade vai chegando, as cobranças vão aumentando... Minha vó andava jurando que eu ia ficar pra titia, e não é que aconteceu mais cedo do que todo mundo previa?! Em Janeiro do ano que vem nasce meu sobrinho (a). Se for um molequinho, vai ver jogo do Mengão com a tia. Se for uma mocinha, vai passear um bocado no Pátio Savassi.

Enquanto isso eu fico aqui, com meus vinte e quatro anos, oito meses e alguns dias, só brincando com fogo... Ele me encanta, me deixa maravilhada. E é só apertar o botãozinho que ele acende, ou apaga. O problema é quando a brincadeira vai longe demais e a gente se queima, embora na maioria das vezes a queimadura até que compensa. Mas se ele apagar sozinho, é porque não era pra ser.

Eu só espero que ninguém se atreva a jogar um balde de água fria na minha diversão favorita dos últimos tempos, porque o medo eu já perdi há tempos... E essa historinha de que criança que brinca com fogo faz xixi na cama não serve mais. Aliás... até serve, pra eu contar pro meu sobrinho, mas isso é só daqui há um tempinho.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Carta ao senhor dos infinitos adjetivos

João Pessoa, 31 de Fevereiro de 2009

Adorável Filho da Puta,

Lembro bem do dia em que nos conhecemos...
Era uma noite louca, você estava bêbado, doido e mal vestido, mas nada disso tirou o seu charme e eu me apaixonei assim que te vi, mesmo não tendo permissão pra isso. Passaram-se alguns meses até a nossa primeira conversa... e foi sintonia logo de cara! Não tinha como não ser, somos da mesma raça, e você é exatamente aquilo que eu vou ser quando crescer.
E os nossos papos nas madrugadas? Você fazia meus trabalhos da faculdade, eu te escutava sobre o seu dia de trabalho, você se despedia com um beijo e dizia que estava me esperando do lado esquerdo da cama... Eu acordava feliz e com umas olheiras de causar inveja em qualquer panda.
Mas a gente não podia ficar "junto" naquele momento. Minha coragem não era suficiente e a geografia também não ajudava.
Tomei coragem por um final de semana e tudo correu bem... Depois de anos, finalmente tirei a prova de que você era realmente tudo aquilo que parecia ser: um conquistador barato, mas que só gosta do que custa caro! E bote caro nisso...
Sinceramente eu já havia desistido de você, dado como perdido... mas nos momentos em que eu já estava te esquecendo, você encostava e fazia com que eu lembrasse de você, do quanto você era insuportavelmente irresistível.
Você é maravilhosamente lindo, inteligente, engraçado, misterioso, interessante... é o senhor dos infinitos adjetivos.
Você era o lado certo da minha vida errada...
E os melhores momentos que tive contigo, foram através de sonhos!
Você fez o que tinha de fazer: sumir!
Fui até o "inferno" só pra te ver, passando por cima de todos os anjos e santos que me protegem no céu que teimo em residir.
Depois de você eu entendi pra quê os Filhos da Puta servem... Vocês têm o poder de nos fazer imensamente felizes quando querem e assustadoramente tristes quando a gente não quer!
Mas eu desejo um pra cada mulher desse mundo, pois uma vida sem um Adorável Filho da Puta não é vida, e a melhor definição da sua raça que eu posso dar é: Vocês são exatamente como aquelas calcinhas velhas de fundo de gaveta, não existem melhores pra dormir, mas não há mulher no mundo que queira passar a vida inteira com uma delas!

Um beijo meu.

A beleza da tristeza

Morro de pena daquelas pessoas que são obcecadas pela felicidade...
Existe coisa mais ridícula do que expor sua felicidade pra todos os lados?
Tá feliz?! Tá alto astral?! Tá de bem com a vida?! Se junta com a Xuxa e vai cantar Ilariê.
Que necessidade estranha. Pra mim isso é coisa de mulher mal amada e de homem que acabou de sair do armário! Quem é feliz mesmo fica de boquinha calada. Propaganda nesse negócio fica de fora.
Mas onde eu quero chegar com esse papinho furado de que alegria alheia me incomoda? Vou dizer agora que nunca fui feliz?! Ah... fui sim! Mas isso não vem ao caso... o caso aqui é fazer uma análise da tristeza do mundo, não da minha. A minha está em outra categoria, uma categoria especial, que ainda não foi inventada.
Quando eu visualizo a felicidade, a primeira cena que passa pela minha cabeça é a imagem de um gordinho em um rodízio de pizza, com uma Coca-Cola de 2 litros do lado e um guardanapo de pano pendurado na gola da camisa. Isso é Felicidade!
Se a felicidade é bonita?! Não... claro que não! A própria felicidade é triste, dolorosa...
E o "retrato" da tristeza?! Que ar bonito que a tristeza dá em certas pessoas...
Eu falo de pessoas que olham pro infinito, que falam baixinho, quase sussurrando, de pessoas que pisam leve ao andar, de pessoas que choram num domingoà noite por uma coisa que não fazem a mínima idéia do que é, de pessoas que escutam Cartola sozinhas no quarto... aliás, por falar em Cartola, dia desses um amigo me perguntou se eu sabia responder porque as músicas tristes eram as mais bonitas, eu respondi que não sabia dizer, só sabia sentir. E nesse momento eu senti um vazio enorme, pois era a mais bela canção triste que tocava... dele, o mestre Cartola.
E a tristeza por vezes é tão doce que dá dor de dente e causa cáries. Mas nada que uma boa escovação, um fio-dental e um dentista não resolvam.
Tem um tipo de tristeza que a gente se apega. Por exemplo: tristeza de novela. Eu adoro novelas. São todas infelizes, parecidas com a vida real. As mexicanas são as melhores. As Marias sofrem, sofrem e sofrem, e, no final, ficam com o mocinho. Na prática não funciona bem assim. O bandido rouba a cena e o final é todo dele.
E sempre tem quem chore no último capítulo. Choram até vendo a final do BBB. Choram se tem amor e se não tem amor também.
O choro é o auge da tristeza. A parte mais bonita, pode-se dizer.
Eu costumo comparar a tristeza com um saco de boxe. Eu dou um murro, ele vai. Enquanto eu paro pra respirar, ele volta. Se eu vacilar... ele me derruba.
Portanto, amigos...
Vivam, amem, sejam tristes...
Pois como já dizia o outro grande mestre em tristeza: “O amor só é bom se doer”.

Eu, Maria Tereza Falcão, a feliz mais triste do mundo.

sábado, 11 de abril de 2009

O dia em que eu fugi com o circo!

A magia do circo sempre foi algo que me encantou. Minhas melhores lembranças de diversão na infância vão diretamente para as minhas idas ao circo com meu pai.
Dizem que circo é alegria pra criança, mas já parou pra perceber que quem mais se diverte por lá são os mais velhos? Talvez os adultos gostem tanto por ser uma verdadeira fuga, uma fuga de uma realidade muitas vezes cruel e chata, que fica do lado de fora da lona. Lá dentro todo mundo tem a mesma idade: a idade de ser feliz.
Uma vez dentro do circo, parecia que eu fazia parte de tudo aquilo. O tempo que durava o espetáculo era exatamente o tempo de duração da minha felicidade. Eu me sentia encantada com todas aquelas cores, sons e magias, que só o picadeiro pode oferecer.
Eu era uma menininha pequena, cheia de bicos e com uma franjinha torta, que sonhava em ser bailarina. A menininha danada que era apaixonada pelo circo e pelo palhaço. Ah o palhaço... sempre ele!
É dele que o Respeitável Público do circo de lona vermelha e azul mais gosta.
Os aplausos mais efusivos são pra ele, a hora mais esperada é a da chegada dele.
E por falar em hora, eu sempre soube que ela ia chegar, mas eu nunca pensei que só aos 24 anos de idade eu ia querer fugir com o circo...
Eu me apaixonei por um palhaço. Dos melhores. Digamos que o meu palhaço contemporâneo favorito. Mas antes de me apaixonar por ele, me apaixonei pela trupe dele. O circo dele é diferente, transforma o óbvio em algo extremamente novo, deliciosamente viciante.
Preciso confessar uma coisa pra vocês.
Estou mentindo. Mentindo feio...
Quando eu me apaixonei, ele estava sem maquiagem e sem narizinho vermelho, fora do palco. Era um homem lindamente comum, que fez meu sorriso congelado sair do modo automático.
E ao cruzar os olhos dele, eu vi a sua alma.
Entrei em transe e ainda não consegui sair.
Tornei a vê-lo algumas vezes apenas como platéia, mas eu queria mais. Queria aquele palhaço só pra mim, nem que fosse por algumas horas.
Puro egoísmo? Não... excesso de desejo!
E não é que o palhaço gostou de mim?
Depois de receber uma mensagem dele com 8 palavras e duas vírgulas, eu me decidi. Vou encarar essa loucura, vou fugir com o circo!
Esquema todo armado, um plano quase infalível... eu ia pra cidade dos sonhos, onde o circo dele estava armado, vivia o que tinha de viver, e na volta pra casa, como num passe de mágica, eu deletava esse palhaço do meu HD. Doce ilusão...
Ao ver que ele havia armado o circo todo só pra minha chegada, sorri feliz, sem precisar que ele fizesse nenhuma palhaçada.
É claro que ele estava novamente sem maquiagem, sem nariz e sem sapato de palhaço. Tênis surrado, calça jeans apertada e camiseta mesclada. Mochila nas costas, óculos de grau e argolinha prateada na orelha esquerda. Cabelo assanhado e passando da hora de cortar... E o sinal. Ah meu Deus, se vocês pudessem ver o sinal do palhaço... Um charme! Tão charmoso que nem aparenta que ele tem 14 anos de lona na minha frente.
Charmoso, culto e educado. Professor de história, dançarino de Cumbia e Cover de João Gilberto. Seria ele mais um desafinado?!
No intervalo para o segundo ato, ele cozinhou pra mim... Dizem que quando alguém cozinha pra você é fatal, nunca mais ele sai da sua cabeça.
Muitas vezes eu me confundia... Seria ele mesmo apenas o palhaço? Circo tem dessas coisas, né?! Cada integrante consegue ter várias funções. Acrobacias eu vi ele fazendo. A mágica ele já havia realizado, me hipinotizou e fez com que a minha alma fosse pra fora do meu corpo. Engole um fogo como ninguém. E como um bom equilibrista, ele equilibrou direitinho todo o meu desequilíbrio.
Quinze horas de encontro, e nos quinze primeiros minutos eu já dava a melhor gargalhada da minha vida. Como castigo pra tudo isso, quinze anos de terapia pra esquecer esse palhaço, esse palhaço de um circo sem futuro...
E desde esse dia eu nunca mais o vi... Só ouço a sua voz, no meu pensamento e no CD Player do meu carro. A voz dele pra mim é que nem cotonete, todos os dias tem que entrar no meu ouvido. Um vício!
Dizem as boas línguas que o circo dele chega no final do mês pra uma curtíssima temporada. Como sempre, eu estarei lá... Mas dessa vez acho melhor não chegar muito perto, vou ficar quietinha, sentadinha no puleiro, só olhando... Melhor assim.
Ah, mas se ele pedisse pra largar tudo e ir embora de vez, eu ia.
Mas essas coisas não existem...
Nesse circo o palhaço não curte sequestrar menininhas pra se juntar à trupe.
O picadeiro é só dele...
E quem quiser assistir que assista, que aplauda, que peça pra conversar por trás da lona. Pois disso não passa.
Mas, sabe de uma coisa...
Ele pode.
Ele é O CARA.

P.S. Atenção!
Esta é uma obra de ficção.
Qualquer semelhança com a vida real é uma mera coincidência.
O que dizem que é ela foi baseada em fatos surreais.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Meu príncipe desencanado

Procuro um amor que nem precisa ser tão bom pra mim assim.
Ele nem precisa ser "uma varanda com vista pro mar", mas precisa ter um olhar encantador, pra que assim eu nunca mais precise buscar um outro olhar qualquer.
Ele precisa gostar de cinema, e precisa também querer viver comigo uma história "pronta-pra-filmar", mas nesse roteiro não pode ter vilões e nem mocinhos, deve conter apenas imagens de pessoas normais, que tenham catota no nariz e que saibam se distrair com uma simples câmera digital. E não importa se o filme será um curta ou um longa metragem, ele precisa ser feito apenas da maneira mais espontânea possível, nada que passe perto de um comercial de margarina.
Ele não precisa aparecer montado num cavalo branco com o cabelo mais liso que o meu, nem muito menos precisa vestir aqueles trajes esquisitos. Chegando devagarzinho, em cima de uma motoquinha de 50cc, com dois capacetes, vestindo uma camisa de botão xadrez e um All Star surrado no pé, já está de bom tamanho. Ah... seria muito pedir que ele use chapéu?!
A barba deve estar por fazer e eu não ligo se os dentes estiverem um pouco amarelados. Dessa boca eu só quero beijos intermináveis e que ele fale coisinhas esquisitas no meu ouvido.
Eu quero alguém que ria das besteiras que eu falo sem precisar se esforçar, mas que não fique por aí dizendo que eu sou o máximo, mesmo eu parecendo ser o mínimo. Ele só precisa me admirar com o olhar... Admiração pra mim é tudo, mas algo natural... sem babação e sem aquele "ô minha coixinha maixxx linda".
Sim, ele precisa ser totalmente diferente de tudo aquilo que eu já tive. TOTALMENTE.
Eu quero um peitinho novo pra deitar, um pescocinho novo pra cheirar... Ah, que vontade daquilo que eu ainda não conheço, ou conheço?!
Ele tem que ser pequeno, mas que me faça ver grande nessa vida.
E quanto ao “viveram felizes para sempre”, ah... isso a gente deixa pra lá.
O pra sempre, esse sempre acaba!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Em reticências...

Minha mãe diz há muito tempo (talvez desde que eu saí da sua barriga) que eu nunca acabo nada que começo.
Demorei 24 anos pra concordar com ela...
Quantas tarefas inacabadas? Quantas promessas não cumpridas? Sem falar das histórias sem um final!
Vivo fazendo perguntas pra mim mesma... quando começo a respondê-las, pego uma borracha, apago tudo, crio um questionamento mais difícil, o qual me deixa cada vez mais "encurralada".
Quem vê pensa que eu sou uma espécie de sadomasô, mas não é bem assim... Eu sou HUMANA, ora bolas!
Todo mundo tem o direito de errar, de acertar... e, claro... eu acerto, e muito!
Mas eu erro onde devia acertar e acerto onde metade das pessoas não consegue...
Sou humana e com um bônus: Neurótica!
Se bem que neura e celulite são duas coisas que toda mulher tem... eu tenho as duas, Gisele Bundchen só uma.
Devo concluir então que suas neuroses sejam em dobro. Ufa, menos mal!
Pra piorar a situação, eu falo alto... e falo muito, pra quem não devo.
Se eu gostar de você, faço um resumo da minha vida em 15 segundos, tipo aquele quadro do Fantástico (Ok, serei honesta... vou demorar uns 15 minutos).
E daí se falo demais?! E daí?! E daí que se ao menos eu acreditasse nas minhas próprias palavras, mas as vezes me acho um poço de contradição... e quem se contradiz? Não faz a mínima idéia de quem é... tô certa?!
Se tô certa não sei, mas comecei uma fase nova na minha vida... Quero deixar de achar as coisas e começar a ter certeza delas!
Mas aí eu fico esperando que me perguntem: E aí, Maria?! Qual a coisa que você mais deseja? Respondo sem medo de errar: Queria ter coragem!
Ué... mas eu tenho, não?! Eu só não uso pras coisas certas, compreende?
Coragem é, honestamente falando, uma palavrinha que me incomoda... mas não quero entrar nesse assunto.
Então vamos mudar de pau pra cacete!
Você que está lendo essa baboseira que escrevi e já é quase íntimo meu, acho que pela paciência merece que eu te conte alguns secredos sobre a minha pessoa. Lá vai:
1-> No lado de dentro da porta do meu quarda-roupa tem uma lista enorme de livros que li desde 2004 (grande merda, né?!), vai servir para que quando eu estiver beeem velhinha possa reler os melhores livros da minha vida ;
2-> Meu Segundo pododactilo é maior que meu Primeito pododactilo. An?! Não se preocupe, vou explicar: Meu dedão do pé é menor que o Seu vizinho. Me diziam que quem tem o dedo assim vai mandar no marido ou vai ser viúva (que meus futuros ex-namorados não leiam isso!), confesso que fiquei até contente com o caso... mas resolvi investigar. Segundo o livro "A linguagem dos pés", estudos mostram que o correto seria dizer que a pessoa tem mil ideias, mas não consegue transmiti-las... por isso, reclama de não ser compreendida. NA MOSCA!
3-> Morro de medo de morrer dormindo! Medo que me tira muitas noites de sono... e me dá de presente essas lindas olheiras de panda que você pode ver na foto ao lado! Então... 3 coisas que quase ninguém sabe sobre mim acabaram de ser reveladas. Acho pouco e vou contar a 4ª e essencial para que você possa entender melhor a minha pessoa:
Dentro de mim habita um ser, uma menininha mal resolvida (ou pelo menos disso se faz), que hoje pensa em andar pra frente e engolir o mundo com sua boca pequena, porém continua presa em um passado, que não mais existe, mas que ela custa a acreditar que nunca mais irá voltar.
Não gosto de dizer que sou complicada... digo que sou apenas geniosa, ou melhor: genial!

E o prazer é todo seu.
Maria Tereza Falcão