Morro de pena daquelas pessoas que são obcecadas pela felicidade...
Existe coisa mais ridícula do que expor sua felicidade pra todos os lados?
Tá feliz?! Tá alto astral?! Tá de bem com a vida?! Se junta com a Xuxa e vai cantar Ilariê.
Que necessidade estranha. Pra mim isso é coisa de mulher mal amada e de homem que acabou de sair do armário! Quem é feliz mesmo fica de boquinha calada. Propaganda nesse negócio fica de fora.
Mas onde eu quero chegar com esse papinho furado de que alegria alheia me incomoda? Vou dizer agora que nunca fui feliz?! Ah... fui sim! Mas isso não vem ao caso... o caso aqui é fazer uma análise da tristeza do mundo, não da minha. A minha está em outra categoria, uma categoria especial, que ainda não foi inventada.
Quando eu visualizo a felicidade, a primeira cena que passa pela minha cabeça é a imagem de um gordinho em um rodízio de pizza, com uma Coca-Cola de 2 litros do lado e um guardanapo de pano pendurado na gola da camisa. Isso é Felicidade!
Se a felicidade é bonita?! Não... claro que não! A própria felicidade é triste, dolorosa...
E o "retrato" da tristeza?! Que ar bonito que a tristeza dá em certas pessoas...
Eu falo de pessoas que olham pro infinito, que falam baixinho, quase sussurrando, de pessoas que pisam leve ao andar, de pessoas que choram num domingoà noite por uma coisa que não fazem a mínima idéia do que é, de pessoas que escutam Cartola sozinhas no quarto... aliás, por falar em Cartola, dia desses um amigo me perguntou se eu sabia responder porque as músicas tristes eram as mais bonitas, eu respondi que não sabia dizer, só sabia sentir. E nesse momento eu senti um vazio enorme, pois era a mais bela canção triste que tocava... dele, o mestre Cartola.
E a tristeza por vezes é tão doce que dá dor de dente e causa cáries. Mas nada que uma boa escovação, um fio-dental e um dentista não resolvam.
Tem um tipo de tristeza que a gente se apega. Por exemplo: tristeza de novela. Eu adoro novelas. São todas infelizes, parecidas com a vida real. As mexicanas são as melhores. As Marias sofrem, sofrem e sofrem, e, no final, ficam com o mocinho. Na prática não funciona bem assim. O bandido rouba a cena e o final é todo dele.
E sempre tem quem chore no último capítulo. Choram até vendo a final do BBB. Choram se tem amor e se não tem amor também.
O choro é o auge da tristeza. A parte mais bonita, pode-se dizer.
Eu costumo comparar a tristeza com um saco de boxe. Eu dou um murro, ele vai. Enquanto eu paro pra respirar, ele volta. Se eu vacilar... ele me derruba.
Portanto, amigos...
Vivam, amem, sejam tristes...
Pois como já dizia o outro grande mestre em tristeza: “O amor só é bom se doer”.
Eu, Maria Tereza Falcão, a feliz mais triste do mundo.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
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