segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A minha verdade sobre a mentira

Eu sou uma pessoa má, eu menti pra vocês. A frase acima não é minha, é de Karina Buhr - cantora pernambucana que todo mundo deveria ter a obrigação de apresentar aos seus ouvidos - mas bem que serve (só nesse caso, que fique bem claro) direitinho pra mim.

Eis as mentiras: Não faço mais pós-graduação (larguei por incompatibilidade de agendas), pedi o divórcio e acabei meu casamento de mais de três anos com a Oi, televisão agora não consigo nem assistir, teatro só em casos de dramas domésticos (e as vezes profissionais), o Thai Boxing não me vê há mais de ano e mesmo assim eu nunca saí da faixa amarela.

Mas a verdade é que eu mudei em muitas coisas e no final das contas não mudei em nada. Eu ainda insisto em falar de amor, sobre o amor, para o amor. Falar de amor mesmo em silêncio, amor que cada vez que bate parece se firmar ainda mais onde tá. A outra verdade verdadeira é que a gente ama o imperfeito que é perfeito pra gente.

E assim vou continuar. Tentando ser imperfeita, amando o perfeito e fazendo da vida uma tentativa inútil de alcançar algo que não se sabe se alcança. Mas a gente se ilude, pois não há conforto psicológico maior que a ilusão proporcionada pela miopia. Sim, eu sou míope e não estou mentindo pra vocês. Não desta vez...

E ah... O perigo continua do mesmo jeito, viu?!

domingo, 18 de julho de 2010

Soprando o pó...

Ando revirando gavetas, por recomendações médicas. Cansei do mofo, da poeira, dos ácaros. Tô cuidando de mim. E pela primeira vez em muitos anos, eu consigo mexer nas coisas sem ficar mexida. Minha gaveta já foi minha caixa preta. Já foi. Faxina geral. Nenhum segredo. Usei o espanador pra espanar de vez todas as dores do passado e passei o rodo em toda a sujeira que tanto me fazia mal. Já espirrei todas as lembranças e tossi tudo de ruim que existia no meu peito. Limpar o quarto faz bem, mas uma faxina na alma é fundamental.

domingo, 23 de maio de 2010

Escrevendo errado por linhas retas

Tem quem goste, tem quem tenha pavor. Eu já acho que melhor do que o ato de escrever em si, é sentir a caneta na mão. Escrever rápido demais com medo de esquecer as palavras que saem como um bombardeio numa guerra que só existe dentro da sua cabeça. Manchar o papel, os dedos e muitas vezes criar no papel poças d´água do choro que vai saindo junto com as palavras. Escrever triste sempre rende bons textos, mas o medo das rugas é maior e eu parei com essa mania estranha.

Já botei muita tristeza pra fora em textos vagos. Provavelmente a melhor contribuição literária que eu daria para o mundo seria deixando as folhas em branco. Mas não dá. Que graça teria, não é? Quem ia me julgar sem os textos? Só que as pessoas devem se lembrar que podem julgar tudo pelo comportamento de uma pessoa, menos os pensamentos dela. Esses são meus. E eu não dou, não vendo, não troco e nem empresto a 7%.

Tia Gena, é a culpada de tudo que eu escrevi até hoje. Ela foi minha professora da alfabetização. Aí veio a faculdade e eu botei tudo a perder. Antes disso, veio a minha primeira coluna. Que não é essa aqui e nem a vertebral, mas era uma coluna que eu escrevi com 11 anos em um grande jornal da cidade. Todo mundo elogiou, todo mundo achou lindo, todo mundo achou o máximo. Eu só achei que aquilo não era pra mim e minha vida de jornalista só durou um dia.

Hoje eu acho que todos nós merecíamos fazer parte da confraria dos que escrevem só por querer, sem obrigação. É lindo quem escreve sem necessidade, até mesmo sem talento. Isto é a prova maior de que não só a leitura é para todos, a escrita também é.

Aí agora eu escrevo aqui, eu minto aqui, eu tiro onda aqui. Aqui eu sou indecisa, assim como em todo canto. Devo escrever sobre o ócio das minhas “férias frustradas”? Sobre a crise de meia-idade que chegou por aqui bem precocemente? Sobre o quanto me incomoda gente que faz beicinho o tempo todo pra fazer charme? Não, hoje eu não quero reclamar. Tirei as pedras da mão e mudei de foco, de fica, de fato.

E não é porque eu não quero escrever que meu papel está vazio. O papel tá sendo escrito aos poucos. Cansei de fazer nada e agora eu tô só nadando. Parei de ficar no raso e mergulhei no fundo de cabeça, com roupa e tudo. Mas eu tô nadando direitinho nessa piscina nova, dando uma braçada de cada vez, sem pressa de contar essa história que tá enxendo meus dias, minhas páginas...

sábado, 8 de maio de 2010

Feliz dia da Mãe Joana

Mãe é mãe, o resto é pai. Dona Joana adora dizer essa frase. Dona Joana é minha mãe. E pra mim, ela é a melhor do mundo. Dona Joana não é só mãe, ela também é filha e vó. Minha vó vive dizendo que ela é a melhor filha do mundo. E quando minha sobrinha aprender a falar, ela vai dizer que Dona Joana também é a melhor vó do mundo.

Dona Joana é mãe, mas não é prendada como uma. Nem cozinha, nem lava, nem passa... Lembro que quando eu era criança, ela também não sabia arrumar meu cabelo. Rabo de cavalo? Lacinho? Trança? Nem pensar... Era muito mais prático me levar no salão de beleza e mandar fazer um corte chanel com uma franja torta.

Não é prendada, mas sempre foi dedicada. Eu sempre fui trelosa. Sempre. Quando eu levava uma queda e me machucava, ela não usava Mertiolate, muito menos Mercúrio, ela dava era um beijinho e a dor passava. Mas claro, a ferida tava feita e ficava lá, só que sem cicatriz.

Ela jura "de pé junto" pra todo mundo que aprendeu a andar de cavalo quando tinha dois anos e começou a dirigir o jeep que era do meu avô desde os quatro. E quem é doido de dizer que é mentira?! Mãe não mente, gente.

Minha mãe não é moderninha, muito menos mãe de novela, dessas que compartilham os segredos mais secretos com as filhas. E eu gosto assim. Ela não gosta de rock'n'roll, ela gosta é de Alcione. Vocês entendem agora de onde vem a minha paixão pela Marron, né? Tá no sangue.

Não tem coisa mais clichê do que mãe. Todo mundo tem e todo mundo ama. Também quero amar alguém um dia como minha mãe me ama. Um amor assim que faz a gente querer matar e morrer. Aliás... morrer não, pois se eu morrer minha mãe me mata.

E eu desejo um feliz dia, pra minha Joana e pra sua também!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Pequena história de um amor grande

A menininha tinha nove anos. O menininho também.
A menininha gostava do menininho. O menininho gostava da bola de futebol.
A menininha queria uma carta. O menininho escreveu a carta.
A menininha abriu o papel onde o menininho dizia em letras garrafais: EU NÃO TE AMO.
A menininha ficou triste. O menininho ficou feliz.
A menininha resolveu apagar o NÃO do menininho com um corretivo líquido.
A menininha ficou feliz. O menininho ficou triste.

E foram felizes até a próxima cartinha...

terça-feira, 6 de abril de 2010

Carta de Recomendação

A quem possa interessar,

Fulaninho é um rapaz do meu conhecimento, correto, responsável, esteve comigo por alguns anos (desculpe, mas é que com tantas idas e vindas eu acabei perdendo as contas, de verdade). A função dele por aqui era somente uma: meu namorado. Durante esse período, tornou-se imprescindível na minha vida.

Você deve estar se perguntando por que diabos está recebendo uma carta como esta. Sinceramente eu também não sei, só estou seguindo o que um lado do meu coração me pediu pra fazer (e não te interessa o que o outro tá dizendo).

Espero que esteja ciente que a partir do momento que você passa a se utilizar dos serviços dele, adquire o pacote completo, que vem com: sogra, sogro, cunhadas e amigos com apelidos esquisitos. Sua futura sogra é um amor de pessoa, linda por dentro e por fora também. Seja amiga dela que você ganha tudo, inclusive uns pontinhos a mais com seu filhinho querido. Seu sogro é um perigo pra qualquer dieta saudável, ganhei alguns quilinhos freqüentando a sua casa diariamente. Suas cunhadas são totalmente diferentes do irmão, tanto na aparência, quanto na personalidade. Uma é mais quietinha, só quer saber de namorar. A outra adora falar. Vocês poderão ter longos papos sobre viagens, livros e filmes. É uma família e tanto!

Além de um rostinho bonito e corpinho idem, ele tem um coração enorme. Vai te ajudar no que for preciso, assim como ele já ajuda todo mundo que ele gosta. Você vai concordar que ele é um garoto que sabe agradar.

Claro que ele tem defeitos, todo mundo tem. Alguns foram fundamentais pra que eu me apaixonasse por ele. Os outros... pra desapaixonar. Os que mais me tiravam do sério: os famosos abadás que ele tanto adora vestir e o gosto (se é que pode ser chamado assim) musical incompatível.

Tentei ajudar nas duas questões. Camisa sempre era a primeira opção de presente. Mas e tinha jeito?! Nem com minha mãe zoando ele parava de usar. Se bem que ele nem assim conseguia ficar feio...

A questão musical foi um problema mais grave. Em um determinado ano, dei um mp3 cheio de músicas bacanas. Ele ouviu?! Acho que umas duas vezes... eu até coloquei no aparelho uns reggaes que ele gostava, mas nada adiantava.

Mas ele não reclamava (muito) das coisas que eu gostava e ele não. Chegou até a me levar pra um festival de inverno só pra que eu pudesse ver o show de uma banda que eu adoro e que ele não conhecia. Agora ele conhece... e ODEIA! (hahaha, eu não resisti).

Uma coisa curiosa e que chega a ser até engraçada é o fato de toda criança ter uma atração inexplicável por ele. Meus priminhos caçulas tinham uma verdadeira fixação pelo moço, e olhe que ele nunca mudou seu jeitinho "simpático" de ser com a criançada. Engraçado foi quando ele conheceu minha sobrinha dia desses. Assim que ele tocou no pé da menina, ela abriu o berreiro. Eu ri!

Eis a pergunta que não quer calar: E não deu certo por qual motivo?! Diferenças? Traição? Acabou o amor?! Posso te dizer que tentamos de várias maneiras, diversas vezes. Até terapia de casal a gente fez, só que não deu muito certo... quase nos matamos na frente da psicóloga. Acho que vou ficar te devendo uma resposta. Ou então essa pode ser a primeira pergunta que você pode fazer pra ele na sua entrevista antes de assinar o contrato.

Espero que você saiba reconhecer o cara bacana que ele é. E se você não for boa o bastante para ele, eu pego de volta, tá?!

Atenciosamente,
Têca (Ex-patroa) Ops... (Ex-namorada)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Carnavalizando...


Eis a pergunta que não quer calar: O melhor acompanhamento para o confete e a serpentina é o amor?! Pois é queridos leitores... Festa da carne que nada, o que no fundo todo mundo quer é um "amor de carnaval".

O risco desse amor é que muitas vezes a gente se apaixona pela fantasia do outro. É um amor suado, um amor mascarado. E a gente sabe que na quarta-feira de cinzas essa máscara cai e o único bloco que dá pra acompanhar é o Bloco da Vida Real.

Se no meio da folia tiver alguém fantasiado de cupido, saia de perto... ou não. Cuidado com a flecha que a fecha te pega e ela pode ser fatal, principalmente se seu coração for assim como o meu: prontinho pra amar.

Pra quem acha que esse tipo de amor só dura 4 dias, eu conheço uma bela trama que contrariou as expectativas e que durou quase 6 anos. Tudo bem que no meio da folia deles sempre rolava uma briga ou outra, mas esse caso chegou ao fim porque eles resolveram curtir a festa em outra praia, praça, ladeira ou avenida.

Vocês tão ouvindo daí meu coração pulsando como uma bateria de escola de samba, como uma orquestra de frevo ou um maracatu? É... nesse carnaval vou procurar alguém fantasiado de cardiologista, esse aí vai saber cuidar dessa folia que é meu coração. "E se não der certo, novamente eu vou chorar", como Jorge Ben Jor me ensinou na sua canção que fala justamente sobre esse tema.

Eu desejo um carnaval cheio de plumas e paetês pra todo mundo. Não importa se a trilha sonora vai ser o hit da bicicletinha de um magnifíco compositor que eu não conheço (e nem quero) ou o maracatu que pesa 1 tonelada da Nação Zumbi, o que todo mundo deve fazer é se divertir.

Mas lembre-se: acaba o carnaval, acaba a vida. Pelo menos a vida boa...