segunda-feira, 11 de maio de 2009

Carta ao senhor dos infinitos adjetivos

João Pessoa, 31 de Fevereiro de 2009

Adorável Filho da Puta,

Lembro bem do dia em que nos conhecemos...
Era uma noite louca, você estava bêbado, doido e mal vestido, mas nada disso tirou o seu charme e eu me apaixonei assim que te vi, mesmo não tendo permissão pra isso. Passaram-se alguns meses até a nossa primeira conversa... e foi sintonia logo de cara! Não tinha como não ser, somos da mesma raça, e você é exatamente aquilo que eu vou ser quando crescer.
E os nossos papos nas madrugadas? Você fazia meus trabalhos da faculdade, eu te escutava sobre o seu dia de trabalho, você se despedia com um beijo e dizia que estava me esperando do lado esquerdo da cama... Eu acordava feliz e com umas olheiras de causar inveja em qualquer panda.
Mas a gente não podia ficar "junto" naquele momento. Minha coragem não era suficiente e a geografia também não ajudava.
Tomei coragem por um final de semana e tudo correu bem... Depois de anos, finalmente tirei a prova de que você era realmente tudo aquilo que parecia ser: um conquistador barato, mas que só gosta do que custa caro! E bote caro nisso...
Sinceramente eu já havia desistido de você, dado como perdido... mas nos momentos em que eu já estava te esquecendo, você encostava e fazia com que eu lembrasse de você, do quanto você era insuportavelmente irresistível.
Você é maravilhosamente lindo, inteligente, engraçado, misterioso, interessante... é o senhor dos infinitos adjetivos.
Você era o lado certo da minha vida errada...
E os melhores momentos que tive contigo, foram através de sonhos!
Você fez o que tinha de fazer: sumir!
Fui até o "inferno" só pra te ver, passando por cima de todos os anjos e santos que me protegem no céu que teimo em residir.
Depois de você eu entendi pra quê os Filhos da Puta servem... Vocês têm o poder de nos fazer imensamente felizes quando querem e assustadoramente tristes quando a gente não quer!
Mas eu desejo um pra cada mulher desse mundo, pois uma vida sem um Adorável Filho da Puta não é vida, e a melhor definição da sua raça que eu posso dar é: Vocês são exatamente como aquelas calcinhas velhas de fundo de gaveta, não existem melhores pra dormir, mas não há mulher no mundo que queira passar a vida inteira com uma delas!

Um beijo meu.

A beleza da tristeza

Morro de pena daquelas pessoas que são obcecadas pela felicidade...
Existe coisa mais ridícula do que expor sua felicidade pra todos os lados?
Tá feliz?! Tá alto astral?! Tá de bem com a vida?! Se junta com a Xuxa e vai cantar Ilariê.
Que necessidade estranha. Pra mim isso é coisa de mulher mal amada e de homem que acabou de sair do armário! Quem é feliz mesmo fica de boquinha calada. Propaganda nesse negócio fica de fora.
Mas onde eu quero chegar com esse papinho furado de que alegria alheia me incomoda? Vou dizer agora que nunca fui feliz?! Ah... fui sim! Mas isso não vem ao caso... o caso aqui é fazer uma análise da tristeza do mundo, não da minha. A minha está em outra categoria, uma categoria especial, que ainda não foi inventada.
Quando eu visualizo a felicidade, a primeira cena que passa pela minha cabeça é a imagem de um gordinho em um rodízio de pizza, com uma Coca-Cola de 2 litros do lado e um guardanapo de pano pendurado na gola da camisa. Isso é Felicidade!
Se a felicidade é bonita?! Não... claro que não! A própria felicidade é triste, dolorosa...
E o "retrato" da tristeza?! Que ar bonito que a tristeza dá em certas pessoas...
Eu falo de pessoas que olham pro infinito, que falam baixinho, quase sussurrando, de pessoas que pisam leve ao andar, de pessoas que choram num domingoà noite por uma coisa que não fazem a mínima idéia do que é, de pessoas que escutam Cartola sozinhas no quarto... aliás, por falar em Cartola, dia desses um amigo me perguntou se eu sabia responder porque as músicas tristes eram as mais bonitas, eu respondi que não sabia dizer, só sabia sentir. E nesse momento eu senti um vazio enorme, pois era a mais bela canção triste que tocava... dele, o mestre Cartola.
E a tristeza por vezes é tão doce que dá dor de dente e causa cáries. Mas nada que uma boa escovação, um fio-dental e um dentista não resolvam.
Tem um tipo de tristeza que a gente se apega. Por exemplo: tristeza de novela. Eu adoro novelas. São todas infelizes, parecidas com a vida real. As mexicanas são as melhores. As Marias sofrem, sofrem e sofrem, e, no final, ficam com o mocinho. Na prática não funciona bem assim. O bandido rouba a cena e o final é todo dele.
E sempre tem quem chore no último capítulo. Choram até vendo a final do BBB. Choram se tem amor e se não tem amor também.
O choro é o auge da tristeza. A parte mais bonita, pode-se dizer.
Eu costumo comparar a tristeza com um saco de boxe. Eu dou um murro, ele vai. Enquanto eu paro pra respirar, ele volta. Se eu vacilar... ele me derruba.
Portanto, amigos...
Vivam, amem, sejam tristes...
Pois como já dizia o outro grande mestre em tristeza: “O amor só é bom se doer”.

Eu, Maria Tereza Falcão, a feliz mais triste do mundo.