domingo, 18 de julho de 2010
Soprando o pó...
domingo, 23 de maio de 2010
Escrevendo errado por linhas retas
Já botei muita tristeza pra fora em textos vagos. Provavelmente a melhor contribuição literária que eu daria para o mundo seria deixando as folhas em branco. Mas não dá. Que graça teria, não é? Quem ia me julgar sem os textos? Só que as pessoas devem se lembrar que podem julgar tudo pelo comportamento de uma pessoa, menos os pensamentos dela. Esses são meus. E eu não dou, não vendo, não troco e nem empresto a 7%.
Tia Gena, é a culpada de tudo que eu escrevi até hoje. Ela foi minha professora da alfabetização. Aí veio a faculdade e eu botei tudo a perder. Antes disso, veio a minha primeira coluna. Que não é essa aqui e nem a vertebral, mas era uma coluna que eu escrevi com 11 anos em um grande jornal da cidade. Todo mundo elogiou, todo mundo achou lindo, todo mundo achou o máximo. Eu só achei que aquilo não era pra mim e minha vida de jornalista só durou um dia.
Hoje eu acho que todos nós merecíamos fazer parte da confraria dos que escrevem só por querer, sem obrigação. É lindo quem escreve sem necessidade, até mesmo sem talento. Isto é a prova maior de que não só a leitura é para todos, a escrita também é.
Aí agora eu escrevo aqui, eu minto aqui, eu tiro onda aqui. Aqui eu sou indecisa, assim como em todo canto. Devo escrever sobre o ócio das minhas “férias frustradas”? Sobre a crise de meia-idade que chegou por aqui bem precocemente? Sobre o quanto me incomoda gente que faz beicinho o tempo todo pra fazer charme? Não, hoje eu não quero reclamar. Tirei as pedras da mão e mudei de foco, de fica, de fato.
E não é porque eu não quero escrever que meu papel está vazio. O papel tá sendo escrito aos poucos. Cansei de fazer nada e agora eu tô só nadando. Parei de ficar no raso e mergulhei no fundo de cabeça, com roupa e tudo. Mas eu tô nadando direitinho nessa piscina nova, dando uma braçada de cada vez, sem pressa de contar essa história que tá enxendo meus dias, minhas páginas...
sábado, 8 de maio de 2010
Feliz dia da Mãe Joana
Dona Joana é mãe, mas não é prendada como uma. Nem cozinha, nem lava, nem passa... Lembro que quando eu era criança, ela também não sabia arrumar meu cabelo. Rabo de cavalo? Lacinho? Trança? Nem pensar... Era muito mais prático me levar no salão de beleza e mandar fazer um corte chanel com uma franja torta.
Não é prendada, mas sempre foi dedicada. Eu sempre fui trelosa. Sempre. Quando eu levava uma queda e me machucava, ela não usava Mertiolate, muito menos Mercúrio, ela dava era um beijinho e a dor passava. Mas claro, a ferida tava feita e ficava lá, só que sem cicatriz.
Ela jura "de pé junto" pra todo mundo que aprendeu a andar de cavalo quando tinha dois anos e começou a dirigir o jeep que era do meu avô desde os quatro. E quem é doido de dizer que é mentira?! Mãe não mente, gente.
Minha mãe não é moderninha, muito menos mãe de novela, dessas que compartilham os segredos mais secretos com as filhas. E eu gosto assim. Ela não gosta de rock'n'roll, ela gosta é de Alcione. Vocês entendem agora de onde vem a minha paixão pela Marron, né? Tá no sangue.
Não tem coisa mais clichê do que mãe. Todo mundo tem e todo mundo ama. Também quero amar alguém um dia como minha mãe me ama. Um amor assim que faz a gente querer matar e morrer. Aliás... morrer não, pois se eu morrer minha mãe me mata.
E eu desejo um feliz dia, pra minha Joana e pra sua também!
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Pequena história de um amor grande
A menininha gostava do menininho. O menininho gostava da bola de futebol.
A menininha queria uma carta. O menininho escreveu a carta.
A menininha abriu o papel onde o menininho dizia em letras garrafais: EU NÃO TE AMO.
A menininha ficou triste. O menininho ficou feliz.
A menininha resolveu apagar o NÃO do menininho com um corretivo líquido.
A menininha ficou feliz. O menininho ficou triste.
E foram felizes até a próxima cartinha...
terça-feira, 6 de abril de 2010
Carta de Recomendação
Fulaninho é um rapaz do meu conhecimento, correto, responsável, esteve comigo por alguns anos (desculpe, mas é que com tantas idas e vindas eu acabei perdendo as contas, de verdade). A função dele por aqui era somente uma: meu namorado. Durante esse período, tornou-se imprescindível na minha vida.
Você deve estar se perguntando por que diabos está recebendo uma carta como esta. Sinceramente eu também não sei, só estou seguindo o que um lado do meu coração me pediu pra fazer (e não te interessa o que o outro tá dizendo).
Espero que esteja ciente que a partir do momento que você passa a se utilizar dos serviços dele, adquire o pacote completo, que vem com: sogra, sogro, cunhadas e amigos com apelidos esquisitos. Sua futura sogra é um amor de pessoa, linda por dentro e por fora também. Seja amiga dela que você ganha tudo, inclusive uns pontinhos a mais com seu filhinho querido. Seu sogro é um perigo pra qualquer dieta saudável, ganhei alguns quilinhos freqüentando a sua casa diariamente. Suas cunhadas são totalmente diferentes do irmão, tanto na aparência, quanto na personalidade. Uma é mais quietinha, só quer saber de namorar. A outra adora falar. Vocês poderão ter longos papos sobre viagens, livros e filmes. É uma família e tanto!
Além de um rostinho bonito e corpinho idem, ele tem um coração enorme. Vai te ajudar no que for preciso, assim como ele já ajuda todo mundo que ele gosta. Você vai concordar que ele é um garoto que sabe agradar.
Claro que ele tem defeitos, todo mundo tem. Alguns foram fundamentais pra que eu me apaixonasse por ele. Os outros... pra desapaixonar. Os que mais me tiravam do sério: os famosos abadás que ele tanto adora vestir e o gosto (se é que pode ser chamado assim) musical incompatível.
Tentei ajudar nas duas questões. Camisa sempre era a primeira opção de presente. Mas e tinha jeito?! Nem com minha mãe zoando ele parava de usar. Se bem que ele nem assim conseguia ficar feio...
A questão musical foi um problema mais grave. Em um determinado ano, dei um mp3 cheio de músicas bacanas. Ele ouviu?! Acho que umas duas vezes... eu até coloquei no aparelho uns reggaes que ele gostava, mas nada adiantava.
Mas ele não reclamava (muito) das coisas que eu gostava e ele não. Chegou até a me levar pra um festival de inverno só pra que eu pudesse ver o show de uma banda que eu adoro e que ele não conhecia. Agora ele conhece... e ODEIA! (hahaha, eu não resisti).
Uma coisa curiosa e que chega a ser até engraçada é o fato de toda criança ter uma atração inexplicável por ele. Meus priminhos caçulas tinham uma verdadeira fixação pelo moço, e olhe que ele nunca mudou seu jeitinho "simpático" de ser com a criançada. Engraçado foi quando ele conheceu minha sobrinha dia desses. Assim que ele tocou no pé da menina, ela abriu o berreiro. Eu ri!
Eis a pergunta que não quer calar: E não deu certo por qual motivo?! Diferenças? Traição? Acabou o amor?! Posso te dizer que tentamos de várias maneiras, diversas vezes. Até terapia de casal a gente fez, só que não deu muito certo... quase nos matamos na frente da psicóloga. Acho que vou ficar te devendo uma resposta. Ou então essa pode ser a primeira pergunta que você pode fazer pra ele na sua entrevista antes de assinar o contrato.
Espero que você saiba reconhecer o cara bacana que ele é. E se você não for boa o bastante para ele, eu pego de volta, tá?!
Atenciosamente,
Têca (Ex-patroa) Ops... (Ex-namorada)
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Carnavalizando...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Sonho de uma tarde de verão
Imagem surrupiada da net: O sonho, Picasso.Não era uma manhã de Janeiro qualquer. Era uma quarta-feira pra lá de quente, que necessitava urgentemente de um ventilador ligado no 3 e de uma cama bem preguiçosa pra ficar deitada o resto do dia, só sonhando...
Eu sei que em sonho tudo fica meio vago, meio complicado de decifrar, meio desfocado... Mas no meu sonho de uma tarde de verão não tinha nem rei, nem rainha, nem muito menos 2 casais que ficam brincando de troca-troca por culpa de cupidos que não sabem trabalhar direito. Sheakspeare que me perdoe, mas dele eu só queria o título. Mas por favor, nada de me puxar pelo pé mais tarde, hein Will?!O cenário era o mesmo do conto famoso: Uma floresta. Só que o meu enredo se passava em uma casa de madeira, cercada de árvores e pés de manga (que se a gente olhasse por dentro das folhas via o mar, logo ali), com uma rede na varanda (que junto com a conversa sobre os raios e trovões foi a grande culpada desse sonho) e um colchão gostoso no chão. Saguins e muriçocas eram os figurantes dessa trama, sendo que os saguins eu nem cheguei a ver, só soube que lá estavam. Mas quanto as muriçocas, além de ver, eu senti. Era praticamente uma quarta-feira de fogo fora de época, um desfile particular das Muriçocas do Miramar, só que em outra praça, em outro carnaval.
O personagem principal não era sheakspeariano. Era ele: o moço do meu texto favorito. Aquele que deixa a platéia eufórica, as menininhas ouriçadas e os marmanjos pedindo bis. Ele mesmo, aquele que sempre me leva pros cenários mais incríveis, que eu só acredito ter estado lá porque meus sonhos são tão surreais que eu acabo sempre levando a sério.
Já conheço esses meus sonhos com ele de cor e salteado, tanto os que tive acordada, quanto os que tive domindo. Mas ele sempre me surpreende e eu nunca escapo do frio na barriga, mesmo quando estamos no inferno mais legal e não menos quente do mundo.
Eis os fatos:
Eu tinha algo pra assinar, só não me recordo o que era e se eu realmente cheguei a fazer isso. Só lembro que o caminho era longo o suficiente pra que eu ouvisse meus 2 cds de Gal Costa cantando Tom Jobim, e perto o suficiente pra me deixar com vontade de repetir esse caminho toda semana (e quando a BR estiver duplicada, porque não todo dia, né?!).
Um outro flash que eu acabo não me lembrando bem do sonho foi na hora do nosso almoço. Perguntei se ele queria me matar de fome, mas depois descobri que ele queria me matar sim, mas seria de uma forma mais violenta. Lembro das bebidas: Guaraná com gelo e suco de laranja. Surpreende se eu disser que o sem gás era o meu? É meu novo jeitinho... Mastiga, engole, limpa a boca e vai embora.
Trânsito. Segue o fluxo. Really?! Estaciona atrás daquele carro. Pi-Pi (barulhinho destravando o alarme da casa). Água. Gelada tem ali. Não, pode ser quente mesmo. Pegando fogo. Fervendo. Quase em estado de ebulição. Você já disse isso antes. Isso você também já tinha me dito antes. Calma, menina. Olho-no-olho. Eu quero ver. Calafrio generalizado.
Lembro de pedir mentalmente várias vezes pra que ele não mordesse os lábios daquele jeitinho, senão eu ia oferecer o lado mais fraco de mim pra ele bater. Mas ele mordia, eu oferecia, ele batia. Idiota! Ele não... eu.
O mais legal desse sonho é que eu não acordei na melhor parte, nem depois dela. Dormindo ou acordada (já estou até confusa), fiquei bem quietinha, assistindo um documentário sobre Metallica que passava na TV, que só foi interrompido quando nossos celulares tocavam ou quando eu tive meus pés cobertos por ele.
Levanta. Chega de sonho, menina! A estrada...
Ao ir embora, deixei um livro como lembrança. Aquele que eu sabia que ia agradar, com uma dedicatória tímida, feita em pé, escorada no carro, com ele espiando e doido pra ver que tipo de besteira ia sair. Mal sabe ele que ao abrir esse livro, ele não ganhava de presente a minha alma, pois essa ele já tinha desde o carnaval passado, quando a sugou pelo meu olhar. A surpresa do Kinder Ovo desta vez foi meu coração.
O mais intrigante disso tudo é que o cara dos meus sonhos pode ser vários ao mesmo tempo, sendo um só. Ele tem a ponta do nariz vermelha, usa chapéus bacanas e tem a platéia na mão. Mas ele também é aquele que anda com uma mochila nas costas e os sapatos esquisitos que eu tanto adoro. Só que dessa vez ele estava bem singelo e usava até chinelo. Talvez ele não seja o genro dos sonhos de Dona Joana, mas ele certamente é o palhaço dos meus sonhos.
Ao acordar, deitada na minha cama, vi que tudo não era um sonho. Era verdade, tudo que naquela tarde eu vi. E sonhar acordada até que é bom, mas é preciso acordar, pois tenho uma vida de sonhos me esperando lá fora.
Como um sonho, tudo acabou. Pelo menos até que eu comece a sonhar novamente. Escovei os dentes e tirei a remela dos olhos. E sabe o que restou? A solidão da noite de verão.
E se você caro leitor, não consegue sonhar ou se tem sonhos vazios, eu te dou uma dica: Sonhe! Afinal de contas, a nossa vida é uma fábrica de sonhos e cabe a você não deixar que ela vire um pesadelo.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Enquanto houver encanto...

Enquanto houver encanto, eu vou continuar dançando melodias sem letra e letras sem melodia, de músicas que não passam de palavras vomitadas por alguém que sofreu de amor, ou que simplesmente fez um outro alguém sofrer.
Enquanto houver encanto, seu sorriso vai ser a primeira coisa que vou lembrar ao acordar, e a última coisa que eu vou pensar ao dormir. Mas se você não sabe sorrir, do que vou me lembrar mesmo?
Enquanto houver encanto, eu vou continuar escrevendo coisas que só fazem sentido pra alguém que tenha o coração mole e a cabeça dura, como eu. Não... meu caso é outro: miolo mole e coração de pedra, fato.
Mas um dia você cansa e todo o encanto vai embora. Aí você joga os óculos fora e tudo volta ao normal. O amor acaba, tudo se vai. Ficam só os pedacinhos por todos os lados, causando tragédias e cortando gente que nada tem a ver com isso.
