Imagem surrupiada da net: O sonho, Picasso.Não era uma manhã de Janeiro qualquer. Era uma quarta-feira pra lá de quente, que necessitava urgentemente de um ventilador ligado no 3 e de uma cama bem preguiçosa pra ficar deitada o resto do dia, só sonhando...
Eu sei que em sonho tudo fica meio vago, meio complicado de decifrar, meio desfocado... Mas no meu sonho de uma tarde de verão não tinha nem rei, nem rainha, nem muito menos 2 casais que ficam brincando de troca-troca por culpa de cupidos que não sabem trabalhar direito. Sheakspeare que me perdoe, mas dele eu só queria o título. Mas por favor, nada de me puxar pelo pé mais tarde, hein Will?!O cenário era o mesmo do conto famoso: Uma floresta. Só que o meu enredo se passava em uma casa de madeira, cercada de árvores e pés de manga (que se a gente olhasse por dentro das folhas via o mar, logo ali), com uma rede na varanda (que junto com a conversa sobre os raios e trovões foi a grande culpada desse sonho) e um colchão gostoso no chão. Saguins e muriçocas eram os figurantes dessa trama, sendo que os saguins eu nem cheguei a ver, só soube que lá estavam. Mas quanto as muriçocas, além de ver, eu senti. Era praticamente uma quarta-feira de fogo fora de época, um desfile particular das Muriçocas do Miramar, só que em outra praça, em outro carnaval.
O personagem principal não era sheakspeariano. Era ele: o moço do meu texto favorito. Aquele que deixa a platéia eufórica, as menininhas ouriçadas e os marmanjos pedindo bis. Ele mesmo, aquele que sempre me leva pros cenários mais incríveis, que eu só acredito ter estado lá porque meus sonhos são tão surreais que eu acabo sempre levando a sério.
Já conheço esses meus sonhos com ele de cor e salteado, tanto os que tive acordada, quanto os que tive domindo. Mas ele sempre me surpreende e eu nunca escapo do frio na barriga, mesmo quando estamos no inferno mais legal e não menos quente do mundo.
Eis os fatos:
Eu tinha algo pra assinar, só não me recordo o que era e se eu realmente cheguei a fazer isso. Só lembro que o caminho era longo o suficiente pra que eu ouvisse meus 2 cds de Gal Costa cantando Tom Jobim, e perto o suficiente pra me deixar com vontade de repetir esse caminho toda semana (e quando a BR estiver duplicada, porque não todo dia, né?!).
Um outro flash que eu acabo não me lembrando bem do sonho foi na hora do nosso almoço. Perguntei se ele queria me matar de fome, mas depois descobri que ele queria me matar sim, mas seria de uma forma mais violenta. Lembro das bebidas: Guaraná com gelo e suco de laranja. Surpreende se eu disser que o sem gás era o meu? É meu novo jeitinho... Mastiga, engole, limpa a boca e vai embora.
Trânsito. Segue o fluxo. Really?! Estaciona atrás daquele carro. Pi-Pi (barulhinho destravando o alarme da casa). Água. Gelada tem ali. Não, pode ser quente mesmo. Pegando fogo. Fervendo. Quase em estado de ebulição. Você já disse isso antes. Isso você também já tinha me dito antes. Calma, menina. Olho-no-olho. Eu quero ver. Calafrio generalizado.
Lembro de pedir mentalmente várias vezes pra que ele não mordesse os lábios daquele jeitinho, senão eu ia oferecer o lado mais fraco de mim pra ele bater. Mas ele mordia, eu oferecia, ele batia. Idiota! Ele não... eu.
O mais legal desse sonho é que eu não acordei na melhor parte, nem depois dela. Dormindo ou acordada (já estou até confusa), fiquei bem quietinha, assistindo um documentário sobre Metallica que passava na TV, que só foi interrompido quando nossos celulares tocavam ou quando eu tive meus pés cobertos por ele.
Levanta. Chega de sonho, menina! A estrada...
Ao ir embora, deixei um livro como lembrança. Aquele que eu sabia que ia agradar, com uma dedicatória tímida, feita em pé, escorada no carro, com ele espiando e doido pra ver que tipo de besteira ia sair. Mal sabe ele que ao abrir esse livro, ele não ganhava de presente a minha alma, pois essa ele já tinha desde o carnaval passado, quando a sugou pelo meu olhar. A surpresa do Kinder Ovo desta vez foi meu coração.
O mais intrigante disso tudo é que o cara dos meus sonhos pode ser vários ao mesmo tempo, sendo um só. Ele tem a ponta do nariz vermelha, usa chapéus bacanas e tem a platéia na mão. Mas ele também é aquele que anda com uma mochila nas costas e os sapatos esquisitos que eu tanto adoro. Só que dessa vez ele estava bem singelo e usava até chinelo. Talvez ele não seja o genro dos sonhos de Dona Joana, mas ele certamente é o palhaço dos meus sonhos.
Ao acordar, deitada na minha cama, vi que tudo não era um sonho. Era verdade, tudo que naquela tarde eu vi. E sonhar acordada até que é bom, mas é preciso acordar, pois tenho uma vida de sonhos me esperando lá fora.
Como um sonho, tudo acabou. Pelo menos até que eu comece a sonhar novamente. Escovei os dentes e tirei a remela dos olhos. E sabe o que restou? A solidão da noite de verão.
E se você caro leitor, não consegue sonhar ou se tem sonhos vazios, eu te dou uma dica: Sonhe! Afinal de contas, a nossa vida é uma fábrica de sonhos e cabe a você não deixar que ela vire um pesadelo.

u-au!
ResponderExcluirO sonho é uma forma de compensar o que "não deu tempo" de viver.
ResponderExcluirGostei do texto.
Bjus.
E o melhor de tudo é que não custa nada, né?
ResponderExcluir=)