quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A verdade nua e crua


Terça-feira calorenta. TPM matando. Clientes desesperados e cheios de razão te ligando logo cedo, exigindo N coisas que não dependem de você. Chefinho te cobrando as coisas, mesmo sendo o penúltimo dia do mês e você já bateu a sua meta de resultados desde a metade dele. Massagista cancelando a sua massagem de sempre na hora do almoço, só pelo fato de estar com sono. Sua manicure está de folga e você não quer dar suas mãozinhas delicadas pra uma açougueira qualquer fazer um bife. Sua internet tira onda da sua cara e resolve derrubar a conexão logo na hora que você está enviando um e-mail longo super importante para um cliente nem tanto assim.

Você já está surtando, quando de repente tem a brilhante idéia de tirar o resto da tarde só pra você. Almoço engordight, comedinha romântica no cinema sozinha e claro: a roupa mais linda que você conseguir achar naquelas vitrines tentadoras. Tudo-certo-já, vamos nessa!

Na hora de fazer o pedido, o atendente te pergunta se você quer dobrar o queijo e você diz: "Não, moço. Quero dobrar só o guardanapo, pois eu me melo toda com esse sanduiche." A risadagem no balcão é geral, só você não acha tanta graça assim no que diz... eles teriam engolido um palhaço?!

Pedido efetuado com sucesso, hora de escolher a mesa. Você vê duas peruas se matando, dividindo um pequeno sanduba de 15. Claro que você vai sentar lá do ladinho delas, pra fazer um pouquinho de maldade, comendo seu Frango Teriaki de 30cm (você pode, já que não teve almoço hoje) sem o mínimo de culpa.

E se você acha que vai escapar dos telefonemas enquanto come, não se engane. Ele tocará 3 vezes. Uma das vezes é sua melhor amiga, que pergunta o que você está fazendo. E quando você fala, ela logo se anima pra ir também, e você, no seu íntimo, torce para que ela desista (desculpa, amiga). Ela desistiu. Mais uma missão realizada com sucesso.

Acabou de comer? Pois então corra, o filme já vai começar. Cuidado pra não cair e passar vergonha em plena praça de alimentação, viu?! Seu dia já não está tão bom assim... e a tendência é sempre piorar.

Você entra atrasada no cinema, já está tudo escuro e só a imagem da tela e as luzes azuis no chão não ajudam você a encontrar uma cadeira num lugar legal, sem ninguém por perto, pra que você não corra o risco de ser pega em flagrante chorando e rindo, tudo ao mesmo tempo.

Ao sentar, você tira seu sapatinho confortável número 34 e cruza as pernas na cadeira. Está praticamente no sofá da sua casa, quando de repente, o susto: Ashton Kutcher no trailer de Jogando com prazer. Imediatamente você sente uma puta inveja da Demi Moore, que além de ter estrelado um dos seus filmes favoritos, dorme e acorda ao lado do bonitão mais seguido do Twitter todas as noites. Vida difícil, hein?!

Olhe para um lado e observe que você não é única desocupada que vai pro cinema sozinha em plena terça-feira. Olhe para o outro e veja casais apaixonadinhos, fofuxinhos e cutecutezinhos que ao contrário de você, poderiam sim estar fazendo coisa melhor do que matar o trabalho somente pra ver um filminho numa sala fria e escura.

Respire fundo, o filme vai começar. Logo de cara você já identifica: esse filme vai pra lista dos meus favoritos, certeza! Tive a primeira crise de risos ao ver que a protagonista imprime o perfil no site de relacionamentos do carinha que ela tem um encontro marcado pra logo mais. Até a ficha policial do moço foi consultada. E nem adianta achar que isso é coisa de psicopata... Vai dizer que você nunca pesquisou informações sobre o seu paqueirinha no Google?!

E por falar em sites de buscas, fiz um teste agora a pouco. Digitei sonho de consumo e cliquei, sabe o que apareceu? Uma foto do Gerard Butler, o Mark Chadway do filme. A coisa mais linda de barbinha por fazer e carinha de cafajeste. Meu tipinho preferido. E ah... ele explica direitinho como funcionam as cabeças do homem. Perfeito!

A Katherine Heigl, protagonista do filme, mata metade das mulheres do mundo de inveja. Logo dois, galega?! E a cena do Mojito? E a dança na sequência?! E a cena do elevador??? Ah minha gente... vão assistir isso, garanto que boas risadas vocês darão.

Claro que meu telefone não podia deixar de tocar, né?! Em pleno horário de expediente liga cliente, chefinho e uma amiga sua, que quando você diz que está no cinema pergunta logo, eufórica, quem é está te acompanhando. E claro... chega fica mufina quando você diz que está sozinha. Que povo careta, só posso ir pro cinema com um carinha, é?! Eu hein...

O filme acabou da melhor forma possível, sempre com romance, né?! E você sai da sala desesperada, pois suas risadas não foram nada discretas, principalmente no jantar onde o molequinho encontra um brinquedinho perdido no chão.

Certo... você corre. Jura que já fez demais por você, que o filminho tirou todo seu estresse do dia, promete que vai perder a fama de Becky Bloom e não vai dar nem uma mínima olhadinha nas vitrines do shopping, né?! Você consegue? Não... claro que não.

Sabe o look mais lindo daquela loja da vitrine linda (e cara) que você prometeu nunca mais fazer comprinhas?! Nesse momento encontra-se no seu guarda-roupa, devidamente acomodado, esperando uma festinha bombástica pra ser usado.

Ah... claro, como ia esquecer desse detalhe. Sabe quem ligou durante o seu dia de mulherzinha?! Aquele seu paquerinha novo, te chamando pra jantar. Você foi?! Foi... Você foi tomar uma "cervejinha" depois?! Foi... E foi bom?! Foi... E se esse dia foi de verdade?! Bem... você nunca vai saber!

sábado, 12 de setembro de 2009

As cartas de amor que eu não mandei


Lembro com muita saudade do meu primeiro amor: um garotinho que estudava comigo no Jardim da Infância, bem gordinho, que puxava meu cabelo e corria. Pra esse, nem uma linha escrevi. Também... o máximo que eu sabia fazer naquela época era cobrir os tracinhos, colorir desenhos e riscar as paredes da sala de jantar da minha mãe.

O segundo me fez raiva todos os dias, por um mês, o tempo que durou a Colônia de Férias. Era Maria Brabinha pra lá, Zé Porquinho pra cá... um festival de insultos trocados, uma paixão que eu já sabia que existia, mas ele não. Escrevi no meu papel de carta mais bonito um bilhetinho que dizia: “Eu sei que você fica com raiva porque eu jogo bola melhor do que você, mas se você deixar, posso te ensinar a driblar essa timidez...”. Ele só iria entender o que eu quis dizer uns 4 anos depois. Então... não mandei, rasguei.

Pouco tempo depois, veio meu primeiro namorado. Ele era quase um ano mais novo que eu, mas como menino amadurece mais devagar, a diferença aparentava ser maior. Com 1 mês de namoro, ele já estava desenhando a planta baixa da nossa casa, os quartos dos meninos, a cozinha que eu nunca utilizaria, pensou até no sofá que a gente sentaria aos domingos pra ver televisão. Tadinho. Escrevi uma cartinha muito singela, dizendo que ele não tinha a menor vocação pra arquitetura, muito menos pra conquistar de vez meu coração. Também não mandei, mas de uma forma ou de outra acredito que o recado foi dado, hoje ele é advogado.

Sabe aquele que muitos acreditam ser o sortudo que mais recebeu cartas? É... esse apesar de tanto ter merecido, leu pouco, muito pouco, ou quase nada, mesmo me acompanhando por tanto tempo. Talvez por ter conhecido uma garota que já não acreditava tanto no poder que as palavras causam em quem lê, ou então pelo fato de que apesar do muito amor que sentia, tinha muita mágoa guardada também. Li mais do que mandei e devo confessar: piquei em pedaços, não só as cartas, mas o coração dele também.

Mas as minhas melhores cartas não enviadas foram pra ele: O cara dos meus tremores. Aquele que eu sei onde mora e que eu sei por quem chora. Só que nesse caso o amor trabalha em silêncio... E eu sei, esses dias eu tive a certeza de que os anos vão passar, mas ele nunca vai esquecer. E caso isso venha a acontecer, deixei dois ou três avisados: as cartas podem ser entregues, só me avisem com antecedência, pois eu quero estar bem longe... pois talvez ele não me perdoe por esconder tanto tempo assim, o amor que eu nutria dentro de mim.


Esse texto pode ser encontrado aqui, oh:
http://www.portalparaiba.com/site/colunista.php?idColuna=90

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Apagando a velinha e ficando velhinha




Pouca gente sabe, mas eu tenho horror a comemorar o meu aniversário. Esse pânico a festinhas onde o "Parabéns pra você" é destinado à minha pessoa, se deve ao fato de que perdi uma pessoa muito especial no dia que até então era o mais feliz do ano pra mim. Em um 2 de Setembro não muito distante e também não muito recente, perdi uma das pessoas que eu mais gostava, e mesmo sendo muito criança, esse fato nunca saiu da minha cabeça.


Não quero falar de tristeza. Não hoje, ontem eu já tive um dia amargo demais. Daqueles tão tristes que até as lágrimas tem medo de mim e nem dão as caras pelo meu rosto. E no final da tarde, ainda acreditei que as coisas pudessem dar uma melhorada depois que eu desse uns murrinhos no saco de boxe, mas ao chegar na academia, me deparei com as portas trancadas e um aviso: Reabriremos normalmente nesta quarta, 02 de Setembro, pois hoje estamos comemorando o Dia do Profissional de Educação Física. Legal, né?! Foi pra fechar o "Inferno Astral" com chave de ouro.


Ao acordar esta manhã, fiquei rindo sozinha, lembrando das previsões que as pessoas faziam sobre o meu futuro sem futuro. Fiquem certos de que na maioria dos planos, a essa altura do campeonato eu já estaria casada com um homem ciumento (tem uma plaquinha na minha testa dizendo que eu gosto da raça, bem ao lado do aviso que diz que músicos também são bem-vindos, sabe?!) e com dois filhos bem danados. Felizmente todos estavam errados. Completo hoje 25 anos, solteira, sem arranhões, falando palavrão e cantando samba com paixão.


Pois é... tô comemorando bodas de prata de um casamento muito bem sucedido comigo mesma, o melhor par que o cupido podia me arrumar.


Hoje eu sou uma pequena grande mulher que não tem mais medo de engolir o mundo. Sei que o fato de ter a boca pequena pode atrapalhar, mas o importante é que eu sei que tudo que eu quero de fato engolir, dou um jeito de fazer descer guela abaixo.


Nessa caminhada eu ainda dei umas topadas por aí, umas muitas na verdade. Errei feio com os outros e errei mais feio ainda comigo. Mas eu ando aprendendo que o melhor que se tem a fazer muitas vezes é ficar sozinha mesmo, pois antes você magoada do que magoando uma outra pessoa. E digo mais: minha vida tá bacana demais pra que eu deixe alguém entrar assim tão facilmente, pulando a janela ou esperando uma brechinha escapar na porta. Se esse alguém souber arrombar a fechadura, posso até pensar no caso.


Mas de uma coisa eu sei: minha vontade de ficar sozinha não vai durar pra sempre, até porque eu assisti Shrek pela quadragésima terceira vez esse final de semana, e tive a certeza de que a Fiona é bem mais feliz com seu ogro que fala besteira, arrota e peida, do que sozinha.


E parabéns pra mim...


Tin Tin!!!


Esse texto pode ser encontrado aqui, oh:
http://www.portalparaiba.com/site/colunista.php?idColuna=86