
Lembro com muita saudade do meu primeiro amor: um garotinho que estudava comigo no Jardim da Infância, bem gordinho, que puxava meu cabelo e corria. Pra esse, nem uma linha escrevi. Também... o máximo que eu sabia fazer naquela época era cobrir os tracinhos, colorir desenhos e riscar as paredes da sala de jantar da minha mãe.
O segundo me fez raiva todos os dias, por um mês, o tempo que durou a Colônia de Férias. Era Maria Brabinha pra lá, Zé Porquinho pra cá... um festival de insultos trocados, uma paixão que eu já sabia que existia, mas ele não. Escrevi no meu papel de carta mais bonito um bilhetinho que dizia: “Eu sei que você fica com raiva porque eu jogo bola melhor do que você, mas se você deixar, posso te ensinar a driblar essa timidez...”. Ele só iria entender o que eu quis dizer uns 4 anos depois. Então... não mandei, rasguei.
Pouco tempo depois, veio meu primeiro namorado. Ele era quase um ano mais novo que eu, mas como menino amadurece mais devagar, a diferença aparentava ser maior. Com 1 mês de namoro, ele já estava desenhando a planta baixa da nossa casa, os quartos dos meninos, a cozinha que eu nunca utilizaria, pensou até no sofá que a gente sentaria aos domingos pra ver televisão. Tadinho. Escrevi uma cartinha muito singela, dizendo que ele não tinha a menor vocação pra arquitetura, muito menos pra conquistar de vez meu coração. Também não mandei, mas de uma forma ou de outra acredito que o recado foi dado, hoje ele é advogado.
Sabe aquele que muitos acreditam ser o sortudo que mais recebeu cartas? É... esse apesar de tanto ter merecido, leu pouco, muito pouco, ou quase nada, mesmo me acompanhando por tanto tempo. Talvez por ter conhecido uma garota que já não acreditava tanto no poder que as palavras causam em quem lê, ou então pelo fato de que apesar do muito amor que sentia, tinha muita mágoa guardada também. Li mais do que mandei e devo confessar: piquei em pedaços, não só as cartas, mas o coração dele também.
Mas as minhas melhores cartas não enviadas foram pra ele: O cara dos meus tremores. Aquele que eu sei onde mora e que eu sei por quem chora. Só que nesse caso o amor trabalha em silêncio... E eu sei, esses dias eu tive a certeza de que os anos vão passar, mas ele nunca vai esquecer. E caso isso venha a acontecer, deixei dois ou três avisados: as cartas podem ser entregues, só me avisem com antecedência, pois eu quero estar bem longe... pois talvez ele não me perdoe por esconder tanto tempo assim, o amor que eu nutria dentro de mim.
Esse texto pode ser encontrado aqui, oh:
http://www.portalparaiba.com/site/colunista.php?idColuna=90

Eu acredito no serviço de entrega de correspodências DHL Express, mas tb têm o Varig Log, Fedex e Tam Express. Você só não entrega se não quiser.
ResponderExcluirBjus.