A magia do circo sempre foi algo que me encantou. Minhas melhores lembranças de diversão na infância vão diretamente para as minhas idas ao circo com meu pai.
Dizem que circo é alegria pra criança, mas já parou pra perceber que quem mais se diverte por lá são os mais velhos? Talvez os adultos gostem tanto por ser uma verdadeira fuga, uma fuga de uma realidade muitas vezes cruel e chata, que fica do lado de fora da lona. Lá dentro todo mundo tem a mesma idade: a idade de ser feliz.
Uma vez dentro do circo, parecia que eu fazia parte de tudo aquilo. O tempo que durava o espetáculo era exatamente o tempo de duração da minha felicidade. Eu me sentia encantada com todas aquelas cores, sons e magias, que só o picadeiro pode oferecer.
Eu era uma menininha pequena, cheia de bicos e com uma franjinha torta, que sonhava em ser bailarina. A menininha danada que era apaixonada pelo circo e pelo palhaço. Ah o palhaço... sempre ele!
É dele que o Respeitável Público do circo de lona vermelha e azul mais gosta.
Os aplausos mais efusivos são pra ele, a hora mais esperada é a da chegada dele.
E por falar em hora, eu sempre soube que ela ia chegar, mas eu nunca pensei que só aos 24 anos de idade eu ia querer fugir com o circo...
Eu me apaixonei por um palhaço. Dos melhores. Digamos que o meu palhaço contemporâneo favorito. Mas antes de me apaixonar por ele, me apaixonei pela trupe dele. O circo dele é diferente, transforma o óbvio em algo extremamente novo, deliciosamente viciante.
Preciso confessar uma coisa pra vocês.
Estou mentindo. Mentindo feio...
Quando eu me apaixonei, ele estava sem maquiagem e sem narizinho vermelho, fora do palco. Era um homem lindamente comum, que fez meu sorriso congelado sair do modo automático.
E ao cruzar os olhos dele, eu vi a sua alma.
Entrei em transe e ainda não consegui sair.
Tornei a vê-lo algumas vezes apenas como platéia, mas eu queria mais. Queria aquele palhaço só pra mim, nem que fosse por algumas horas.
Puro egoísmo? Não... excesso de desejo!
E não é que o palhaço gostou de mim?
Depois de receber uma mensagem dele com 8 palavras e duas vírgulas, eu me decidi. Vou encarar essa loucura, vou fugir com o circo!
Esquema todo armado, um plano quase infalível... eu ia pra cidade dos sonhos, onde o circo dele estava armado, vivia o que tinha de viver, e na volta pra casa, como num passe de mágica, eu deletava esse palhaço do meu HD. Doce ilusão...
Ao ver que ele havia armado o circo todo só pra minha chegada, sorri feliz, sem precisar que ele fizesse nenhuma palhaçada.
É claro que ele estava novamente sem maquiagem, sem nariz e sem sapato de palhaço. Tênis surrado, calça jeans apertada e camiseta mesclada. Mochila nas costas, óculos de grau e argolinha prateada na orelha esquerda. Cabelo assanhado e passando da hora de cortar... E o sinal. Ah meu Deus, se vocês pudessem ver o sinal do palhaço... Um charme! Tão charmoso que nem aparenta que ele tem 14 anos de lona na minha frente.
Charmoso, culto e educado. Professor de história, dançarino de Cumbia e Cover de João Gilberto. Seria ele mais um desafinado?!
No intervalo para o segundo ato, ele cozinhou pra mim... Dizem que quando alguém cozinha pra você é fatal, nunca mais ele sai da sua cabeça.
Muitas vezes eu me confundia... Seria ele mesmo apenas o palhaço? Circo tem dessas coisas, né?! Cada integrante consegue ter várias funções. Acrobacias eu vi ele fazendo. A mágica ele já havia realizado, me hipinotizou e fez com que a minha alma fosse pra fora do meu corpo. Engole um fogo como ninguém. E como um bom equilibrista, ele equilibrou direitinho todo o meu desequilíbrio.
Quinze horas de encontro, e nos quinze primeiros minutos eu já dava a melhor gargalhada da minha vida. Como castigo pra tudo isso, quinze anos de terapia pra esquecer esse palhaço, esse palhaço de um circo sem futuro...
E desde esse dia eu nunca mais o vi... Só ouço a sua voz, no meu pensamento e no CD Player do meu carro. A voz dele pra mim é que nem cotonete, todos os dias tem que entrar no meu ouvido. Um vício!
Dizem as boas línguas que o circo dele chega no final do mês pra uma curtíssima temporada. Como sempre, eu estarei lá... Mas dessa vez acho melhor não chegar muito perto, vou ficar quietinha, sentadinha no puleiro, só olhando... Melhor assim.
Ah, mas se ele pedisse pra largar tudo e ir embora de vez, eu ia.
Mas essas coisas não existem...
Nesse circo o palhaço não curte sequestrar menininhas pra se juntar à trupe.
O picadeiro é só dele...
E quem quiser assistir que assista, que aplauda, que peça pra conversar por trás da lona. Pois disso não passa.
Mas, sabe de uma coisa...
Ele pode.
Ele é O CARA.
P.S. Atenção!
Esta é uma obra de ficção.
Qualquer semelhança com a vida real é uma mera coincidência.
O que dizem que é ela foi baseada em fatos surreais.
sábado, 11 de abril de 2009
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Meu príncipe desencanado
Procuro um amor que nem precisa ser tão bom pra mim assim.
Ele nem precisa ser "uma varanda com vista pro mar", mas precisa ter um olhar encantador, pra que assim eu nunca mais precise buscar um outro olhar qualquer.
Ele precisa gostar de cinema, e precisa também querer viver comigo uma história "pronta-pra-filmar", mas nesse roteiro não pode ter vilões e nem mocinhos, deve conter apenas imagens de pessoas normais, que tenham catota no nariz e que saibam se distrair com uma simples câmera digital. E não importa se o filme será um curta ou um longa metragem, ele precisa ser feito apenas da maneira mais espontânea possível, nada que passe perto de um comercial de margarina.
Ele não precisa aparecer montado num cavalo branco com o cabelo mais liso que o meu, nem muito menos precisa vestir aqueles trajes esquisitos. Chegando devagarzinho, em cima de uma motoquinha de 50cc, com dois capacetes, vestindo uma camisa de botão xadrez e um All Star surrado no pé, já está de bom tamanho. Ah... seria muito pedir que ele use chapéu?!
A barba deve estar por fazer e eu não ligo se os dentes estiverem um pouco amarelados. Dessa boca eu só quero beijos intermináveis e que ele fale coisinhas esquisitas no meu ouvido.
Eu quero alguém que ria das besteiras que eu falo sem precisar se esforçar, mas que não fique por aí dizendo que eu sou o máximo, mesmo eu parecendo ser o mínimo. Ele só precisa me admirar com o olhar... Admiração pra mim é tudo, mas algo natural... sem babação e sem aquele "ô minha coixinha maixxx linda".
Sim, ele precisa ser totalmente diferente de tudo aquilo que eu já tive. TOTALMENTE.
Eu quero um peitinho novo pra deitar, um pescocinho novo pra cheirar... Ah, que vontade daquilo que eu ainda não conheço, ou conheço?!
Ele tem que ser pequeno, mas que me faça ver grande nessa vida.
E quanto ao “viveram felizes para sempre”, ah... isso a gente deixa pra lá.
O pra sempre, esse sempre acaba!
Ele nem precisa ser "uma varanda com vista pro mar", mas precisa ter um olhar encantador, pra que assim eu nunca mais precise buscar um outro olhar qualquer.
Ele precisa gostar de cinema, e precisa também querer viver comigo uma história "pronta-pra-filmar", mas nesse roteiro não pode ter vilões e nem mocinhos, deve conter apenas imagens de pessoas normais, que tenham catota no nariz e que saibam se distrair com uma simples câmera digital. E não importa se o filme será um curta ou um longa metragem, ele precisa ser feito apenas da maneira mais espontânea possível, nada que passe perto de um comercial de margarina.
Ele não precisa aparecer montado num cavalo branco com o cabelo mais liso que o meu, nem muito menos precisa vestir aqueles trajes esquisitos. Chegando devagarzinho, em cima de uma motoquinha de 50cc, com dois capacetes, vestindo uma camisa de botão xadrez e um All Star surrado no pé, já está de bom tamanho. Ah... seria muito pedir que ele use chapéu?!
A barba deve estar por fazer e eu não ligo se os dentes estiverem um pouco amarelados. Dessa boca eu só quero beijos intermináveis e que ele fale coisinhas esquisitas no meu ouvido.
Eu quero alguém que ria das besteiras que eu falo sem precisar se esforçar, mas que não fique por aí dizendo que eu sou o máximo, mesmo eu parecendo ser o mínimo. Ele só precisa me admirar com o olhar... Admiração pra mim é tudo, mas algo natural... sem babação e sem aquele "ô minha coixinha maixxx linda".
Sim, ele precisa ser totalmente diferente de tudo aquilo que eu já tive. TOTALMENTE.
Eu quero um peitinho novo pra deitar, um pescocinho novo pra cheirar... Ah, que vontade daquilo que eu ainda não conheço, ou conheço?!
Ele tem que ser pequeno, mas que me faça ver grande nessa vida.
E quanto ao “viveram felizes para sempre”, ah... isso a gente deixa pra lá.
O pra sempre, esse sempre acaba!
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