terça-feira, 18 de agosto de 2009

Viciada em esquisitos

Eu tenho uma amiga que é viciada. Nada de álcool, nada de drogas, nada de jogo, nada de chocolate, nada de sexo. O vício dela é bem esquisito: ela não pode ver um esquisito.

Sua mãe já estava cansada desse festival de alternativos cercando sua filhinha caçula. O pai, deixava bem claro que jamais sentaria na mesma mesa que um desses.

Chegaram a uma resolução: pra felicidade geral e pro bem da minha amiga, eles mandariam a filhotinha pra uma temporada longe da esquisitice alheia. E mandaram, mas mandaram pro lugar errado.

Assim que a minha amiga botou os pés naquela cidade desconhecida, ela teve a certeza: "Aqui é o meu lugar". Seus companheiros de internação, viciados em coisas mais "normais", fizeram o favor de levá-la direto pra Rua da Perdição, lugar de maior concentração de esquisitos por metro quadrado.

Era um festival da esquisitice que ela mais gostava: all-stars, congas, calças xadrez, camisas de botão idem, magrelinhos de bigode e barba por fazer, cabelos cortados por eles mesmos, e pra piorar, alguns ainda tocavam guitarra. Eca! Ela se apaixonava a cada 3 minutos e meio...

Durante aquele período, ela viveu diversas histórias de amor. Começavam quando o ponteiro marcava meia-noite e terminavam às 5h da manhã, quando a cerveja acabava junto com o encanto.

Todos os dias ela recebia ligações da sua mãe, que desligava sempre o telefone preocupada, pois a filha ainda não tinha conseguido nenhum progresso para se curar dessa dependência. A mãe ficava triste, e minha amiga cada dia mais feliz.

Ela não queria voltar, não naquele momento, quando ela estava prestes a realizar seu sonho do esquisito próprio. A cada noite era um diferente, as vezes ela repetia os beijos da noite anterior, mas ela sentia que nenhum daqueles era "o" esquisito pra chamar de seu.

Até que aconteceu uma coisa estranha... bem estranha. Ela se encantou com um cara de aparência nada esquisita. Nada de magrelinho. Nada de tênis conga. Nada parecido com um integrante do Los Hermanos. Ele era bonitinho...

E ela veio embora, finalmente curada do seu vício. Nem se arrepiava mais quando via um cara estranho passar. Mas aparentemente ela contraiu um outro, um vício esquisito por não ser nada esquisito.

Dia desses a gente saiu pra conversar. Ela me contou um segredinho que eu vou dividir com vocês: Ela tá apaixonadinha pelo bonitinho, mesmo sem o ter beijado, nem sequer ameaçado. Ela apenas sabe que no dia que isso acontecer será bom, muito bom.

Mês que vem já é Setembro, e vocês sabem né... depois do primeiro mês do "bro" o ano voa e jajá é Natal. E ela tem se comportado como uma pequena lady, somente pra Papai Noel sacar que ela é uma boa moça e dar exatamente aquilo que ela quer de presente de Natal. E o presente, nem é tão difícil pra vocês adivinharem o que é, é?! Mas... será que ela vai ganhar? Ela já disse que não importa se ele vem a pé, de moto, carro, caminhão, avião, Sedex ou no saco do Papai Noel mesmo, ela só quer ele inteiro... Cabeça, corpo e membros, todo dela.

Depois de ouvir e acompanhar essa história toda eu cheguei a uma conclusão: Esquisita essa minha amiga, hein?!

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